quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Lendas e Glórias: David Ginola

Nascido em França em 1967, este médio-ofensivo começou a carreira no seu clube de formação, o Toulon. Impressionou e rumou ao Racing de Paris. Juntamente com Enzo Francescoli, brilhou e rumou a um clube ligeiramente maior chamado Brest. Aí sim, mostrou todo o seu futebol técnico e o PSG, em 1992, contratou-o com 25 anos. O grande objetivo era destronar o todo-poderoso Marselha, juntando-se Ginola (líder da equipa parisiense), Kombuaré, Ricardo Gomes, Valdo, Le Guen e Weah (mais tarde). O objetivo foi facilmente comprido, culminando no tão desejado título. Com 28 anos, a atuar ao seu mais alto esplendor, decidiu rumar para o Newcastle, onde ficou duas épocas mantendo sempre o mesmo nível, mas nunca atingindo o título. Com 30 anos chegou ao Tottenham numa altura em que para alguns era o melhor do mundo. Saiu numa fase descendente da carreira para o Aston Villa e seguiu depois para o Everton, onde ficou apenas uma carreira.

Acabou a carreira em 2002, sem nunca ter brilhado na seleção francesa. Destacava-se pela técnica, visão de jogo e qualidade de passe, compensando a fraca velocidade. Após pendurar as botas, dedicou-se à moda e ao cinema.

Nota Final: 16/20

Craques de Amanhã: Paco Alcácer

Ainda lhe falta muito para poder ser uma referência, mas já está a conseguir espalhar um pouco do seu perfume. Este futebolista tem também a seu favor jogar no Valência, um clube habituado a fazer crescer jogadores: Paco Alcácer poderá ser mais um.

O jogador nascido na Comunidade Valenciana à 18 anos foi o segundo melhor marcador do Mundial sub-19, realizado este ano. Também este ano já foi referenciado pelo Barcelona. Explosivo, bom remate, rápido e muito oportuno são os predicados de alguém que já está na equipa principal ché e que já goza de grande popularidade. Além dos comandados de Guardiola, também Bayern Munique, Arsenal e Liverpool estão de olho em Francisco, que não deverá sair por um valor inferior à sua cláusula de rescisão, situada nos 9 milhões de Euros. Fique atento aos jogos do Valência, pode ser que veja um jogador de baixa estatura, rápido e explosivo na frente de ataque.

Nota Final: 15/20

Futebol: De 1900 a 1930 (Parte 2)

Os 30 anos mais importantes da história do futebol nacional: os clubes são criados de uma forma alucinante, entre eles o Benfica (1904) e Sporting (1906), ocorrem as primeiras grandes competições domésticas e internacionais e o "desporto-rei" leva à loucura milhares de pessoas. No panorama internacional, criam-se vários clubes de renome, a saber: Inter de Milão (1908), Roma (1927), Bayern Munique (1900), Real Madrid (1902) e Ajax (1900). Em relação ás competições, a Inglaterra vence os primeiros Jogos Olímpicos (1908) e a Argentina a primeira Copa América (1910). Os bretões deixariam de ter no ínicio do século XX o monopólio do futebol Mundial, uma vez que a França e mais seis nações criariam a FIFA em 1904, o futebol, após a criação deste órgão, era, finalmente um desporto global. Focando as competições domésticas, nota para a criação de competições na maioria dos países de todo o Mundo. Globalmente, as equipas que mais se destacaram na viragem do século foram: Barcelona e Atl. Bilbau (Espanha), Liverpool e Newcastle (Inglaterra), Nuremberga e Furth (Alemanha), Havre e Roubaix (França) e Génova e Pro Vercelli (Itália). No panorama nacional, esta foi uma trintena de anos profícua em mutações de regras e de competições. Indo diretamente há segunda, existiam principalmente o Campeonato de Portugal, disputado por eliminatórias e, por isso, considerado o embrião da Taça de Portugal. Iniciou-se com apenas duas equipas, os campeões do Campeonato de Lisboa e do Porto, mas foi sendo gradualmente alargada a outras associações. A partir da sexta edição, foi assegurada a presença dos principais clubes, campeões regionais ou não. O primeiro Campeonato de Portugal ocorreu em 1921/22, com vitória do FC Porto, perante o Sporting na final. Nos 7 anos seguintes a vitória foi para: Belenenses (2 vezes), Sporting, FC Porto, Olhanense, Marítimo e Carcavelinhos, um facto de curiosidade, foi a não presença do Benfica nas primeiras 5 edições da prova. Através deste registo é óbvio que, no ínicio do novo século, a luta pelo trono estava em êxtase, não existia um verdadeiro dominador do futebol português, algo que apenas se modificaria mais tarde. Ao nível da seleção nacional portuguesa, o primeiro jogo realizou-se em 1921, no qual Portugal perdeu com Espanha por 3-1, com Alberto Augusto, a ser o primeiro jogador a marcar pela seleção de todos nós. A vitória apenas chegaria em 1925, em Lisboa, frente a Itália, 1-0 e golo de João Maia. No final destes trinta anos, a Inglaterra ainda dominava o futebol, enquanto que alguns jogadores emergiam, casos de Zamora, Dean, Campbell, Settle, entre outros. Em Portugal, Pepe, Cândido de Oliveira, Ribeiro Reis, Jorge Vieira e Cosme Damião deixavam o seu perfume, enquanto que jogadores como Meazza e Andrade preparavam-se para assaltar os novos anos. Equipas como Benfica e Sporting iniciariam uma rivalidade lendária. Novos tempos chegavam...

Fernando Machado

Grandes surpresas

Durante a prodigiosa história do futebol tivemos vencedores e vencidos, surpresas e desilusões, beneficiados e prejudicados. Vamos dar nesta rubrica especial ênfase àqueles que deram mais que o esperado e se tornaram ídolo nos respetivos clubes.

Fernando Redondo: Quando chegou a Tenerife era um médio-defensivo, do qual diziam ser um talento, era no entanto difícil singrar num campeonato tão rigoroso como o espanhol. Mas fê-lo: ao serviço do Tenerife realizou 103 jogos, repartidos por 4 épocas. A mudança tinha de ocorrer, Redondo preferiu manter-se em Espanha e ingressou no Real Madrid. Já era de mais: um jogador vindo do Tenerife brilhar nos merengues? Surpreendentemente conseguiu-o, tornou-se no melhor trinco do Mundo e fez sonhar a Europa. Mas, como qualquer jogador, o volante também teria o seu calcanhar de aquiles. Apenas fez 29 jogos pela Argentina, bem como apenas realizou 16 jogos nos seus últimos anos de carreira, já estava ele no AC Milan.

Kluivert: Van Basten tinha terminado a carreira há pouco e o AC Milan precisava de outro holandês para manter o legado. Foi então contratar Kluivert ao Ajax, resultado: erro retumbante, a "pantera" apenas fez 6 golos e não havia outro caminho senão a saída. A próxima paragem foi o Barcelona. Resultado final: 90 golos e exibições esclarecedoras. O jogador foi depois para Inglaterra, mas não voltou a ser o mesmo... Mesmo assim, Kluivert não deixou de surpreender os mais céticos e fazer parte da dream team da Catalunha.

Baba: Um senegalês, que joga num clube desconhecido do Senegal a vir para um clube da 1ª linha do futebol português é um pouco irreal e se sucede não é levar a sério, mas Baba tinha de ser diferente, talvez pela descrição, ou pelo bom comportamento ou por fazer parte das reservas do clube insular. Baba em 3/4 épocas já calou os críticos e prepara-se agora para dar o salto para um clube maior: bem merecido

Liedson: Embora tenha apontado 15 golos no Brasileirão de 2003, Liédson era pouco conhecido, a transferência para o Sporting questionava-se "será que os leões fariam bem em contratar o Levezinho?" Pediam-lhe cerca de 20 golos por ano, mas fez melhor. Quando deixou o Sporting em 2011, saía com 183 golos marcados em 8 anos, tornou-se ídolo em Alvalade e temido em Portugal. Optou por sair este ano para o Corinthians onde já demonstrou valer o que foi pago por ele.

Fernando Machado

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Craques de Amanhã: Eriksen

Ao assistir a uma partida do Ajax irá reparar particularmente num médio louro rápido e tecnicista. O seu nome é Christian Eriksen, é dinamarquês e tem apenas 19 anos. Este jovem ambidestro começou nas camadas jovens no Odense do seu país natal, mas cedo a sua qualidade despertou a atenção de olheiros holandeses. O Ajax garantiu-o antes dos seus rivais e, com tão tenra idade, já tem mais de 50 jogos pela equipa orientada por Frank de Boer.

Num plantel onde se destacam várias individualidades, Eriksen é, sem dúvida alguma, a mais promissora de todas elas, tendo já sido internacional A por 18 ocasiões pela Dinamarca, além das várias aparições nas camadas jovens do país escandinavo. Eriksen destaca-se pela sua qualidade técnica elevada, pela sua capacidade de passe tremenda e pela sua velocidade bastante acima da média.

Este jovem é uma peça fundamental no plano do Ajax, criando jogadas do nada através de passes mortais e de arrancadas imprevisíveis. Eriksen ainda estará ao nível de possibilidades contratual dos grandes portugueses (a sua cláusula de rescisão é de 20 milhões de euros e o Ajax não é muito rígido nestas situações) e se fosse dirigente de um clube grande contrataria-o já...

Nota Final: 17/20

Matic lesionado

O médio sérvio do Benfica foi a ausência mais notada do treino vespertino no Seixal. De acordo com o boletim médico dos encarnados, Matic sofre de uma lesão muscular na perna direita. Assim, o ex-Chelsea deverá falhar a partida de sábado na suíça com os turcos do Galatasaray. O trinco de 23 anos tem sido muitas vezes chamado ao onze inicial para fazer descansar o espanhol García. Em caso de indisponibilidade por um tempo prolongado, poderá haver um risco de saturação física de Javi e uma consequente quebra de jogo do Benfica?

Futebol: Dos primórdios a 1900 (Parte 1)

No longínquo ano de 1863, representantes de equipas de futebol inglesas, encontraram-se num bar em Londres e fundaram a Football Association (FA). Até esta altura, os clubes que jogavam futebol tinham as suas próprias (algumas delas eram poder tocar com a bola na mão e dar caneladas). Devido a este caos generalizado, a Associação de Futebol inventou um conjunto de regras simples. No espaço de uma década, à FA inglesa juntaram-se as associações de País de Gales, Escócia e Irlanda, criando em 1882 o International Football Association Board (IFAB), que tentou regular o futebol no Mundo inteiro. Relativamente ao futebol propriamente dito, a competição oficial mais antiga foi criada em 1871, a FA Cup, competição que ocorre todos os anos em Inglaterra e cujo primeiro vencedor foi o Wanderers. Um ano volvido ocorre o primeiro jogo internacional, com ingleses e escoceses a empatarem sem golos. De novo em relação às regras, este foi um século profícuo em invenções e reinvenções de regulamentos, em 1872 introduzem-se os pontapés de canto e, 6 anos depois os árbitros são autorizados a utilizar apito. Apenas em 1885 (!) começou a existir profissionalismo dos jogadores (de forma rudimentar e lenta), enquanto que as grandes penalidades apenas começaram a ser marcadas a partir de 1891. Em Portugal, o futebol apareceu em 1875, na Madeira, por parte de um estudante radicado nesta região que tinha trazido uma bola de Inglaterra. Em Portugal Continental a refência mais conhecida são os irmãos Pinto Basto (Guilherme, Eduardo e Frederico) que também trouxeram bolas da Bretanha. Alguns dos principais clubes portugueses do inicio do século XX, nasceram neste século entre eles o Casa Pia (formado em 1889), o Real Ginásio (1875) e o FC Porto (1893). Internacionalmente os clubes ingleses mais conhecidos foram criados por esta altura, embora sem o mesmo sucesso que mais tarde granjearião. O Wanderers e o Blackburn Rovers foram as potências do primeiro século oficial do "desporto-rei", ganhando várias competições nacionais. Steve Bloomer e Albut, dois ingleses, foram os primeiros ídolos de um desporto que prometia espetáculo nos anos seguintes...

Ps: Iremos publicar mais 5 partes da história do Futebol: 1900 a 1930; 1930 a 1950; 1950 a 1970; 1970 a 1990; 1990 até à atualidade. Serão publicadas novas mensagens todos os dias, exceptuando os fins-de-semana.

Fernando Machado

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Craques de Amanhã: Ignasi Miquel

Este defesa-central espanhol poderá vir a tornar-se na próxima grande aposta de Arsene Wengér. Por enquanto, o canhoto de 19 anos milita nas reservas no clube londrino onde passeia classe. Ignasi Miquel treinou-se até aos seus 15 anos no Barcelona, mas Wengér "apaixonou-se" por ele e resgatou-o, tal como fez por Fàbregas. Acabou por cumprir todo o resto da sua formação no Arsenal, culminando na estreia pelos seniores na temporada passada.

Sendo a 5ª opção para o centro da defesa, ainda não pode jogar regularmente ao mais alto nível. A direção tentou emprestá-lo, mas Wengér abortou as negociações: quer manter a evolução de Miquel debaixo de olho. Este futebolista possante (193 cm) destaca-se pelo seu posicionamento acertado, mas principalmente pelos seus passes longos que efetua desde a sua grande área acertadamente para o meio-campo adversário. A formação pelo Barcelona nota-se em cada jogada, apresentando imaginação, técnica e criatividade, algo raro num central. Faz lembrar Gerard Piqué, sobre quem Miquel nutre grande admiração. Será que conseguirá ultrapassar o nível do seu ídolo?

Nota Final: 16/20

Lendas e Glórias: Lev Yashin

Yashin retirou-se em 1971, no estádio Lenine, perante 100 mil pessoas e com Pelé, Beckenbauer e Eusébio. Era o término de uma carreira de 21 anos, presença em 4 Mundiais e a reinvenção da posição de guarda-redes.

Aos 21 anos aparecia a oportunidade que Yashin tanto esperava, resultado: derrota do Dínamo de Moscovo (seu único clube) e frango do keeper. Teve de aguardar mais duas temporadas para garantir a titularidade (entretia-se no hóqueio no gelo) e dois anos depois a mesma titularidade na seleção. Conquistou pela URSS os Jogos Olímpicos de 1956 e o Europeu de 1960, pelo meio brilhou no Mundial de 1958 com reflexos incríveis, defesas exorbitantes e qualidade de liderança inigualável. Por onde quer que estivesse, o "aranha-negra" impunha o seu domínio, corrigindo as posições defensivas ao berro (atenuou este modo eficaz por pedido expresso da mulher que sentia pena dos defesas). Em 1962, o "imbatível" Yashin sofreria um golo olímpico (golo de canto direto) e a URSS esteve fora das previsões. Dizia-se que Lev estava acabado (a imprensa de todo o Mundo, incluindo o L'Équipe), mas cerrou os dentes e conquistou o que nenhum guarda-redes jamais conquistou - melhor jogador do Mundo. No seu penúltimo Mundial, em 1966, teve uma excelente campanha que culminou no 4º lugar dos Soviéticos. O seu último Mundial foi em 1970 onde apesar dos seus 40 anos esteve como 3ª opção.

Com mais de 150 penáltis defendidos, Yashin é uma personagem mítica do desporto-rei, já agora, como forma de reconhecimento, o melhor guarda-redes do Mundial FIFA leva o Prémio Yashin.

Nota Final: 20/20

Bosingwa: "Com Paulo Bento nunca mais"

O melhor lateral-direito português de todos os tempos afirmou que "se sente mais um alvo de Paulo Bento", concluindo que com o técnico ex-Sporting no comando da seleção nacional nunca mais voltará a jogar pelo seu país, juntando-se assim a Ricardo Carvalho. Bosingwa sentiu-se ofendido com a opção de Bento sobre Sílvio e João Pereira, preterindo o jogador do Chelsea por alegados "motivos emocionais e mentais". Paulo Bento volta a mostar a faceta que mostrou em Alvalade: é um treinador conflituoso, além de ter dificuldades em coordenar a sua equipa em momentos decisivos. Não convocar um talentoso jogador como Bosingwa que é titular no Chelsea é no mínimo uma grande irresponsabilidade. Qual será o próximo alvo do selecionador nacional?