segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Lendas e Glórias: Zinedine Zidane

zinedine yazid zidane - france / real madrid
Em Marselha, a 23 de junho de 1972, nasceu o melhor jogador francês de todos os tempos e talvez o melhor construtor de jogo de toda a história do futebol.

Com origens argelinas, começou a jogar em clubes de baixa dimensão. Porém, com 15 anos, chamou a atenção de um olheiro do Cannes que o apelidou de "novo Platini". Seguiu para Saint Tropéz, onde brilhou ao mais alto nível, ainda muito novo. Em 1992, com 20 anos, o Bordéus contratou-o por 7 milhões de euros numa altura em que começava a tornar-se num dos ícones do futebol mundial. Impressionou na Europa, ainda mais nas competições internas e, nessa altura, já andava nas "bocas do mundo". Estreou-se pela seleção principal francesa. A Juventus não perdeu tempo, adiantando-se a clubes como o Manchester United ou o Blackburn Rovers, e adquiriu-o no ano de 1996. Zizou praticava um futebol fenomenal (foi nesta altura que ganhou dois dos seus três prémios de melhor do mundo, devido às vitórias no Mundial 1998 e no Euro 2000), mas a sua equipa não o conseguia-a acompanhar, acabando por vencer apenas dois scudettos em 5 anos. Em 2001, o Real Madrid comprou-o por 77 milhões de euros (maior transferência de sempre até 2009), juntando assim mais uma estrela à sua equipa de "galáticos". Em Espanha ganhou outro protagonismo a nível de clubes, vencendo o seu 3º e último prémio de jogador de ano da FIFA, ganhando também a sua 1ª e única Liga dos Campeões, onde marcou um dos golos mais marcantes e mais espetaculares da sua carreira. Depois, venceu outras tantas competições no Real Madrid, clube onde acabaria por se retirar.

Em termos de seleção, destacam-se as suas 108 internacionalizações. Na sua 1ª competição oficial de seleções, chegou às meias-finais do Euro 1996. Em 1998, em França, venceu o Mundial, onde foi figura-maior dos anfitriões. Voltou a atingir a glória em 2000, no Euro do mesmo ano. Depois seguiram-se duas campanhas terríveis no Mundial 2002 e no Euro 2004. No seu jogo antes de "pendurar as botas", acabou por ser expulso após uma cabeçada sobre o italiano Materazzi. Acabaria por ser finalista no Mundial de 2006.

Zidane foi um jogador com uma técnica muito superior à média, com grande visão de jogo e que era capaz de ver brechas nas defesas adversárias que mais ninguém via. Apesar de não ser muito veloz, possuía um leque de fintas fenomenal que tornavam com que fosse muito díficil tirar-lhe a bola. Um ícone na sua posição e no futebol mundial.

Nota Final: 19/20

Clubes portugueses mais endividados que nunca

Luís Filipe Vieira já alertou para este problema que se poderá agravar com a crise nacional. Mas só ontem é que viram "à baila" os valores reais das dívidas, por intermédio de António Samagaio do Instituto Superior de Economia e Gestão que realizou uma entrevista para o jornal "Público". Segundo o professor, a SAD do Benfica deve 157 milhões de euros, a SAD do Sporting outros 95 milhões de euros e a SAD do FC Porto possui em dívida cerca de 100 milhões de euros.

Futebol: De 1950 a 1970 (Parte 4)

A segunda metade do século começou em grande estilo, dava-se o reinício de Mundiais, bem como a realização da Taça Latina. Comecemos pelo primeiro ponto, o Brasil, a jogar em casa, era de longe o favorito, uma possível derrota não se colocava, a "canarinha" chegou à final sem dificuldades, tinha de passar no entanto, na final, pelo Uruguai, comandados pelo mítico Obdulio Varela e, incrivelmente, no Maracanã, composto por 200 mil pessoas, a "celeste" derrotou à "canarinha" por 2-1. Ghiggia, autor do golo vitorioso vem dizendo "só três pessoas calaram o Maracanã cheio de 200 mil pessoas, o papa João Paulo, o Frank Sinatra e eu". De facto, o Brasil ainda teria de aguardar mais alguns anos para conquistar um Campeonato do Mundo.

Chegando agora ao segundo ponto, a Taça Latina, a primeira grande competição internacional de clubes, foi, em 1950, ganha pelo Benfica. Treinados por Ted Smith, os encarnados demonstraram coesão e derrotaram na final o Bordéus por 3-2, após um jogo épico. O Benfica foi, assim a primeira equipa portuguesa a ganhar uma competição internacional. Vamos neste momento ter em atenção a Taça dos Campeões Europeus: desde a sua criação até a edição de 1969/70. A primeira edição terminou com a vitória do Real Madrid, que cilindrou na final o Frankfurt, por esclarecedores 7-3. Nas "Champions" seguintes (de 1956 a 1960), vitórias para Real Madrid, na "liga milionária". A seguir, pela primeira vez o Real Madrid não está presente na final. Barcelona e Benfica defrontavam-se para se descobrir o novo rei do "Velho Continente", num desafio tremendamente dividido, mas no qual os lisboetas levaram a melhor e venceram por 3-2. Um ano depois, o Benfica volta a presenciar a uma final, novamente frente a uma equipa espanhola, mas desta feita perante o Real Madrid, o resultado começou por ser complicado, mas os encarnados mostraram união e esforço e levaram de vencidos os madrilenos por 5-3. Nas edições procedentes (de 1963 a 1970), vitórias finais para Inter de Milão (2 vezes), AC Milan, Real Madrid, Celtic, Manchester United e Feyenoord.

A nível doméstico, os principais dominadores nestes 20 anos foram: Barcelona e Real Madrid (Espanha), Manchester United e Liverpool (Inglaterra), Dortmund e Colónia (Alemanha), Nice e Saint-Étienne (França) e AC Milan e Juventus (Itália). Retomando aos Campeonatos do Mundo, existiram mais quatro. Começando pelo de 1954, a Suíça a ser a anfitriã e a Hungria, os magiares tiveram uma campanha imaculada, na fase de grupos aniquilaram a Coreia e a Alemanha, nos quartos de final derrotaram o Brasil. Na final, tudo começou como previsto, a Húngria já ganhava 2-0 à Alemanha aos 10 minutos, o pior viria depois, Morlock e Rahn (2 vezes) apontaram os golos que permitiram à RFA vencerem o Mundial. Na prova seguinte, em 1958, o anfitrião a ser a Suécia, mas o vencedor foi o Brasil de Pelé que ganhou na final aos da casa por 5-2. Quatro anos volvidos realizava-se mais um Mundial, no Chile, o Brasil voltaria a vencer, na final derrotou a Checoslováquia por 3-1, relativamente ao Mundial anterior, a estrela alterou-se, se antes tinha sido Pelé agora fora Garrincha, marcou, cruzou, fintou e até foi expulso. Prosseguindo, o próximo Campeonato FIFA era o de Inglaterra em 1966, os anfitriões ganhariam a prova mas quem mais brilhou foi Portugal, comandados por Eusébio, a seleção portuguesa quedou-se num honroso 3º lugar.

Mudando de assunto, no ano de 1960 ocorreu o primeiro Europeu, ainda desfalcado de algumas potências, mas que acabaria por ser minimamente interessante com a URSS a vencer a final. Quatro anos depois, vitória para Espanha e outra quadra de anos depois vitória italiana. No panorama nacional, foram 20 anos dominados pelo Benfica, que venceu 10 Taças de Portugal e igual número de Campeonatos. Os "encarnados" impulsionaram-se e foram a maior potência europeia da década de 1960. Pelo Mundo fora, equipas como Ajax, Bayern de Munique e a seleção alemã preparavam-se para um ciclo dourado, Benfica e FC Porto iriam começar uma rivalidade histórica, jogadores como Puskás, Gento, Di Stéfano, Kocsis, Czibor e Masopust garantiam o seu lugar na história, novos tempos aproximavam-se...

Fernando Machado

domingo, 13 de novembro de 2011

Três jovens com um sonho cumprido

Ontem foi um dia histórico para Ivan Cavaleiro, Paulo Teles e Cafú, já que tiveram a oportunidade de se estrearem pelos seniores do seu clube de formação frente ao Galatasaray. Todos eles portugueses, todos eles apostas de futuro na Luz. Mas quem são eles? É isso que queremos esclarecer aos nossos leitores...


Ivan Cavaleiro: Proveniente de Vila Franca de Xira, o avançado de 18 anos destaca-se pela velocidade e técnica, sendo o principal goleador dos juniores encarnados. Habitual titular nas camadas jovens portuguesas, pode também atuar pelas alas. Já comparado a Salomou Kalou e a Nani, promete chegar longe no mundo do futebol.

Paulo Teles: O madeirense de 18 anos, é figura como lateral-esquerdo nos juniores do Benfica. Com bom sentido posicional, é um jogador defensivo, apesar de não por de lado os trabalhos ofensivos. Começou como médio-ala, mas as boas características defensivas fizeram com que João Tralhão o recuasse no terreno.

Cafú: Vindo da Cidade de Berço, cedo mostrou qualidade em Lisboa. Quer a atuar como extremo, quer a atuar como médio-ofensivo, mostra técnica, força e criatividade. Mas não se deixem enganar pela posição, Cafú é um goleador.

Francisco Cunha

Quem quer miúdos catalães de graça?

Todos os anos, o Barcelona "empurra" jogadores talentosos para a equipa B. Depois espera que os contratos terminem para os dispensar. Nolito, Oriol Romeu ou Gio dos Santos foram algumas das vítimas dessa política. No próximo verão, a história não será lá muito diferente...

Martín Montoya: Recentemente foi apontado ao Benfica. Veloz, inteligente e ágil são os principais predicados de um lateral-direito que é uma aposta de futuro para Vicente del Bosque (foi convocado pelo selecionador espanhol para os próximos jogos da equipa A de La Roja) e "lixo" para Guardiola. O internacional sub-21 por Espanha sente que será impossível retirar a titularidade a Daniel Alves e já está a preparar a próxima época.

Marc Bartra: Foi uma das principais figuras da seleção espanhola no Mundial de sub-20, mas em Barcelona só terá lugar na equipa B. O defesa-central espanhol destaca-se pelo bom posicionamento, velocidade e precisão de corte. Com um grande futuro pela frente, terá de procurar outro rumo para a carreira.

Rafinha: O médio-ofensivo hispano-brasileiro, filho da ex-estrela de futebol Mazinho e irmão do também culé Thiago, está em fim de contrato e sente que o seu talento não merece ser desperdiçado na equipa B dos catalães. No defeso passado, o Sporting mostrou o seu interesse num médio criativo de alta rotação com o sentido tático de um europeu e com a "ginga" brasileira.

Jonathan dos Santos: O mais talentoso e promissor dos cinco. O irmão de Gio dos Santos pode jogar a médio-ofensivo ou a médio-ala direiro. Rápido de movimentos, salienta-se pelos passes e remates certeiros. Muita criatividade e imaginação num mexicano que terá, infelizmente, de sair de La Masia.

Isaac Cuenca: Este avançado trapalhão de apenas 20 anos é um autêntico goleador. No ano passado, compôs um tridente ofensivo demolidor, com Soriano e Nolito. Esta época tem alternado entre a equipa B e a A, devido à lesão de Jonathan Soriano (que costuma ter esse papel). A sua qualidade é inegável... Terá um futuro promissor fora de Barcelona?

Francisco Cunha

Craques de Amanhã: Georgi Schennikov

Este lateral esquerdo russo de 20 anos vai na frente da votação para o Golden Boy deste ano. Porquê? Simplesmente devido à sua qualidade muitíssimo anormal para a idade.

É interessante pensar que com 18 anos já era titular indiscutível no CSKA de Moscovo, seu clube de sempre. Além disso, o russo  de 178 cm já era presença vulgar nas convocatórias do seu clube aos 17 anos! Um prodígio que se espera salientar numa posição que tem vivido anos de pouca qualidade. Moscovita de nascimento, destaca-se pela velocidade, sentido posicional e capacidade de desarme. Aguerrido, não tem medo do choque. Ágil no corte, não é um lateral muito ofensivo, no entanto sabe acompanhar o ataque, tendo uma capacidade invulgar para executar bons cruzamentos. Uma das maiores promessas do futebol mundial sobre quem o selecionador russo já tem os olhos postos para o Europeu de 2012.

Nota Final: 16/20

Artur "sem papas na língua"

Em entrevista ao jornal "Record", o guarda-redes brasileiro Artur Moraes contou tudo o que se passou de polémico antes, durante e depois do Braga vs. Benfica. Este jogo voltou a criar intriga, após supostos insultos racistas de Javi García a Djamal e Alan (ler aqui). Artur também foi um dos alvos deste caso, trocando picardias com a sua antiga direção (ler aqui). Sendo assim, o ex-Braga admitiu que "se fosse possível juntava Javi García e Alan ao jantar", dizendo que o seu companheiro de equipa seria incapaz de promover insultos racistas. Artur não escondeu que, na sua opinião, a sua equipa foi mais prejudicada que os minhotos. Ainda controverso: "Temos a melhor equipa do campeonato", disse sem rodeios. Qual o lado da história com que concorda mais: o de Alan e Djamal ou o de Artur e Javi?

Filipe Chaby renova

O jovem médio português do Sporting Filipe Chaby, que esteve em evidência no jogo frente à seleção angolana, assinou o seu 1º contrato profissional, válido até 2016. Formado no clube de Alvalade, o internacional sub-18 por Portugal é considerado uma das maiores promessas do futebol português e Domingos Paciência vê nele um grande valor futuro.

Assim, esta nova direção sportinguista visa a aposta nas camadas jovens que foi prometida durante a campanha eleitoral. Resta saber se dará frutos...

sábado, 12 de novembro de 2011

Boa exibição garante vitória encarnada

Benfica 2-0 Galatasaray
O Benfica venceu o Galatasaray em Genebra durante uma partida amigável. Com bastantes jovens e habituais suplentes em evidência, os encarnados dominaram, mostrando bom futebol frente a uma equipa turca com pouca intensidade de jogo. Com Rodrigo Mora em destaque, a 1ª parte até foi um pouco apagada, mas durante a etapa complementar, os pupilos de Jorge Jesus explodiram e mostraram um futebol rápido e assente em jogadas pelas alas. Miguel Vítor marcou o primeiro aos 46 minutos de cabeça, após de um canto batido do lado direito. Aos 55 minutos de jogo, o argentino Javier Saviola fez o 2-0 na conclusão de um bom lance individual do uruguaio Mora.


MVP - Rodrigo Mora: O avançado uruguaio esteve em destaque com bons lances individuais. Fez uma assistência e esteve perto de marcar por duas ocasiões.
Cafu: O jovem formado no Benfica esteve em evidência. Tecnicista, salienta-se dos demais pela qualidade de passe.
Saviola: Voltou aos golos e mostrou a Jorge Jesus que merece uma aposta mais concreta. Um jogador com muita classe, que espalha técnica pelos relvados.
Luís Martins: O lateral-esquerdo jogou ao extremo e não desiludiu. Bons movimentos de rutura e cruzamentos certeiros fazem com que sobressaia.
Ruben Pinto: O 10 português da cantera do Benfica mostra uma visão de jogo típica dos expoentes máximos na sua posição. Por momentos, faz lembrar Rui Costa...

Promessas falhadas (continuação)

No dia 5 do corrente mês fizemos uma lista com algumas jovens promessas que acabaram por não dar o que era esperado delas (ler aqui). Aí prometemos que iríamos explorar mais algumas "promessas falhadas" e cumprimos! Conheça aqui mais alguns jogadores que, por diversas razões, não atingiram o nível que era esperado para eles.

Momodou Ceesay (MSK Zilina): Chegou a ser apontado como o próximo Weah, mas o gambiano não conseguiu atingir o nível que prometeu um dia. Formado no Wallidan do seu país natal, destacou-se pela velocidade e potência física (195 cm). Após um excelente Mundial de Sub-17, rumou ao Grasshoppers. Salientou-se aos serviços dos suíços e, passado meia temporada da sua chegada à Europa, foi para as reservas do Chelsea. Com apenas 19 anos, não impressionou e tentou relançar a sua carreira no Westerlo da Bélgica. Nunca atingiu a titularidade e rumou para o Zilina da Eslováquia onde não tem tido melhor sorte com 22 anos.

Sergio Asenjo (Atl. Madrid): Formado no Valladolid, atingiu a titularidade nos espanhóis com apenas 18 anos. Destacou-se, sendo considerado na altura um dos guarda-redes mais promissores do mundo. Rumou ao Atlético de Madrid, onde não conseguiu ter sucesso. Na época passada, foi emprestado ao Málaga, não passando de 2ª opção. Caiu no esquecimento e atualmente é a 4ª opção para a baliza dos colchoneros. Qual o seu problema? Tal como Roberto, mostra-se muito inseguro entre os três postes, algo que o tem prejudicado a olhos vistos.

Francesco Bolzoni (Siena): Este médio-centro italiano formado no Inter de Milão, foi em tempos apontado como o novo Pirlo. Tinha técnica, sendo exímio nos passes longos. Nunca pegou de "estaca" na equipa sénior dos italianos e o Génova contratou-o. Continuou a colocar para 2º plano os trabalhos defensivos e os genoveses emprestaram-no ao modesto Frosinone. Brilhou e o Siena pediu-o emprestado. Apesar do estatuto de suplente, o Siene adquiriu-o a título definitivo. Atualmente, com  22 anos, tem conseguido ganhar a titularidade no clube italiano. Porém apenas se melhorar o aspeto defensivo do jogo, poderá tornar-se numa referência na sua posição.

Matías Cahais (Racing de Avellaneda): Despontou no Boca Juniors como defesa-central. Com grande sentido posicional, era ágil e a Europa era o próximo passo. Com o Real Madrid, o Benfica e o Ajax a seguirem-no, acabou por escolher o Groningen da Holanda. Em duas temporadas, fez apenas 11 jogos oficiais e voltou à Argentina. Com 23 anos joga hoje no Racing de Avellaneda. Mostrou que o seu futebol não é adaptável ao europeu e está concentrado numa primeira internacionalização pela Argentina, seu país natal.

Michael Johnson (reservas do Manchester City): Este médio inglês formado no Manchester City, parecia em 2006 destinado a ser um futebolista importante nos citizens. No entanto, com a chegada dos "petro-dólares" perdeu preponderância no seu clube e foi emprestado ao Leicester City. Não teve sucesso e hoje em dia debuta pelas reservas do light blues com um visível excesso de peso.

Francisco Cunha