quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Craques de Amanhã: André Schürrle

No dia 6 de novembro de 1990, nascia em Ludwigshafen, localidade situada na Alemanha, um dos avançados mais promissores do seu tempo. Falamos pois de André Schürrle. Deu-se a conhecer ao mundo há cerca de um ano, altura em que, ao serviço do Mainz, mostrou ser um atacante muito completo e com faro para o golo. Nessa temporada, o Mainz foi a surpresa-maior da Bundesliga, terminando num honroso 5º lugar, após ter lutado pelo título até bem perto do final, morrendo depois "na praia". Se tal se sucedeu, o Mainz em muito o deve a Schürrle, que decididamente levou o seu clube ás costas. O Bayern de Leverkusen apercebeu-se da sua qualidade e não o quis deixar em mãos alheias, assinou um pré-contrato com o dianteiro e no ano seguinte (esta época) rumou ao emblema sediado em Colónia. Para preencher ainda mais o palmarés individual do jovem atacante de 21 anos, ainda há a referir as 8 chamadas à seleção A da Alemanha, onde se tem demonstrado produtivo: já anotou 4 golos.

O novo Klose apresenta uma enorme maturidade para a sua idade. Na época transata, como atrás foi referido, Schürrle pegou de estaca no Mainz, e conduziu os alemães a um campeonato soberbo. Esta época o grau de exigência aumentou substancialmente, mas o jogador de 21 anos tem tomado conta de si. Embora ainda não se tenha tornado na maior referência do Bayern de Leverkusen, Schürrle tem a confiança do técnico que o orienta no emblema atrás mencionado. Para finalizar, tenho que demonstrar o meu enorme apreço pelas qualidades de André Schürrle que, na minha opinião, será, juntamente com Mesut Özil, Marco Reus e Manuel Neuer, o futuro da Mannschaft.

Nota Final: 16/20

O renascimento da Vecchia Signora

No início da corrente temporada, eram poucos os que equacionavam um bom campeonato para Juventus que passaria obrigatoriamente pela conquista da liga principal de Itália. Na última temporada, o histórico italiano não fez melhor que um 7º lugar, muito pouco, para o emblema mais laureado na península itálica. No princípio deste ano desportivo, era possível observar os ares de mudança que embriagavam Turim. Novo treinador (Antonio Conte) e, como é usual, novos jogadores, entre eles o experiente Andrea Pirlo, que deixara o rival AC Milan. De acrescentar que, ara além do centrocampista italiano, também o chileno ex-Leverkusen, Arturo Vidal, e o avançado ex-Roma, Vucinic, foram reforços. Em janeiro, Martín Cáceres rumou igualmente a Turim.

Habituado a ser um emblema em que a experiência é palavra de ordem, a Juventus não se coibiu este ano de rejuvenecer a equipa, com os atletas atrás mencionados. Numa análise mais profunda ao plantel da "Juve", pode-se constatar que esta equipa é competente em todas as posições do terreno. Buffon é, para muitos, o melhor guarda-redes do mundo, sendo ao mesmo tempo a "bandeira" da Vecchia Signora. No centro da defesa, Cáceres juntou-se a Chiellini, formando uma das melhores duplas de centrais da Serie A. Liechsteiner veio cobrir a ala direita, um dos pesadelos da Juventus no ano transato. A lateral esquerda fica a cargo de De Ciglie e Fabio Grosso. No meio-campo, Pirlo e Marchisio ou Vidal são peças-chave, conferindo ao clube de Turim segurança e domínio do centro do campo. No ataque, as opções abundam, em quantidade e qualidade, entre os nomes Matri, Del Piero, Vucinic, Quagliarella e Simone Pepe.

Com todos estes argumentos, é evidente que a Juventus tem condições para lutar pela Serie A de forma constante, tentando repetir um feito que não se reproduz desde a época de 2004/05, ano em que abafaram a concorrência, obtendo o scudetto.

Fernando Machado

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quando o ataque não corresponde...

Man. City 4-0 FC Porto
O sorteio não augurava nada de bom, mas o FC Porto devia ter efetuado um jogo melhor, principalmente no capítulo ofensivo. Verdade seja dita, uma equipa tem de ser suficientemente acutilante no ataque caso queira derrotar um adversário como o Manchester City, que logo no primeiro minuto se viu em vantagem, com golo de Agüero, após uma perda de bola de Otamendi

 Depois do resultado da primeira mão (2-1 para os ingleses), os dragões sabiam que tinham de atacar e, embora daí para a frente o tenham feito, foi sempre com algum receio do opositor que não conseguia ameaçar a baliza portista. Porém, quando os citizens se acercavam da grande área do FC Porto, faziam mossa, principalmente com Agüero que mais tarde seria considerado o melhor em campo. O duelo, no primeiro tempo, resumia-se a isto, a turma de Vítor Pereira a tentar o golo, e os britânicos a criar situações de perigo iminente nas (poucas) vezes que galgavam terreno.

A etapa complementar não trouxe nada de novo, com o jogo a prolongar aquilo que se vira na primeira parte. Aos 77 minutos a resistência portista chega finalmente ao fim. Agüero (sempre ele!), após uma boa jogada individual, assiste Dzeko, que amplia a vantagem. Logo a seguir, Rolando comete a imprudência de protestar com o árbitro, recebendo orde de expulsão, devido ao segundo cartão amarelo que lhe é mostrado por Wolfgang Stark. A partir deste ponto foi basicamente um passeio para os da casa, sem ser necessário despender muita energia, lá chegaram à frente para obterem mais dois golos, por David Silva (84 minutos) e por intermédio de David Pizarro (86 minutos).

Numa análise final, podemos tirar várias ilações, mas a mais evidente é que este resultado não é bem o que parece, já que o conjunto de Vítor Pereira teve mais bola, mas o futebol é assim...

Fernando Machado

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A importância de Javi García

O que não é novidade para o leitor é o facto de que, para o Benfica, já lá vão duas derrotas consecutivas. E qual é a diferença entre a tática habitual dos encarnados e a organização estratégica nestas duas últimas partidas? É simplesmente a ausência de Javi García e o lançamento "às feras" do jovem sérvio Matic.

O médio-defensivo espanhol é exímio na hora de ocupar espaços. Tem também um papel essencial no início da construção de jogo das águias, sendo ainda bastante importante nas bolas paradas. A sua desenvoltura tática permite que o Benfica veja o seu nível exibicional incrementado. A equipa sente-se mais confiante e isso reflete-se nos resultados. Já Matic, um 8 por natureza, deixa um tanto a desejar na hora de jogar como médio mais recuado do plano benfiquista. "Duro de rins", é bastante lento nas antecipações. Safa-se pela sua razoável qualidade técnica, garra e potência física, porém isso não basta para acarretar a totalidade dos trabalhos defensivos no meio-campo encarnado. Na minha opinião, o apoio defensivo de Axel Witsel seria essencial. No entanto, em São Petersburgo, o belga jogou como 10 e, em Guimarães, nem foi titular.

Para bons resultados com o ex-Chelsea como trinco, o meio campo teria de ser formado por ele próprio, por Witsel e Aimar, este último com mais preocupações ofensivas. Por isso, tenho a dizer que Jorge Jesus, um génio tático, falhou na hora de colmatar a ausência do seu camisa 6.

Francisco Cunha

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Benfica deixa invencibilidade no Minho

Vit. Guimarães 1-0 Benfica
Frente a um Vitória com um autêntico autocarro estacionado à frente da sua baliza, o Benfica sentiu sérias dificuldades para contrariar o futebol aguerrido dos vimaranenses. Tal tentativa veio a verificar-se frustada. Com um futebol muito pragmático, a turma de Rui Vitória aproveitou um Benfica sem Javi García e de eficácia duvidosa para alimentar as esperanças de FC Porto e Braga na luta pelo título. Aliás, os dragões já só estão a dois pontos dos encarnados e, antes do "clássico", o Benfica ainda tem de visitar Coimbra que representará sem dúvida uma deslocação muito complicada.

A primeira parte ficou marcada pelo equilíbrio entre as duas equipas. Nestes primeiros 45 minutos nem surgiram muitas ocasiões de perigo. Ao invés do previsível, surgiu o primeiro e único golo da partida aos 37 minutos: depois de um livre lateral e num lance um tanto caricato, Toscano, à meia-volta, abriu o marcador. O Benfica desconcentrou-se com o golo dos da casa e Barrientos até podia ter aumentado a vantagem da sua equipa.

A etapa complementar foi toda dos forasteiros. Apesar desse domínio encarnado, a turma de Jorge Jesus não arriscou, não rematou e, consequentemente, não teve hipóteses de chegar à vantagem, não existindo até fim oportunidades claras de golo.

Francisco Cunha

Vitória à justa

Sporting 1-0 Paços de Ferreira
Na sua estreia em Alvalade como treinador, Ricardo Sá Pinto venceu, mas desengane-se quem pensa que esta foi uma vitória fácil. Perante um Paços inconformado, os leões tiveram dificuldades em chegar perto da baliza de Cássio, muito por força da falta de intensidade dos da casa.

Apesar do favoritismo sportinguista, foram os forasteiros a provocar a primeira ocasião de perigo eminente: Michel, no cara-a-cara com Rui Patrício, rematou ao lado. Os visitados iam apresentando um nível de posse de bola muito mais elevado, no entanto o perigo não atingia a baliza dos "castores". Contudo, aos 36 minutos, Cássio, depois de uma má saída, socou o esférico contra o defesa Ricardo, registando-se assim um auto-golo que deu vantagem ao emblema verde-e-branco. Até fim, ainda houve tempo para uma grande penalidade falhada por parte de Wolfswinkel, tal como um falhanço incrível do ponta-de-lança holandês que continua a mostrar que já passou por melhores momentos de forma. Em suma, uma vitória justa, mas sofrida, de um Sporting à imagem do seu novo técnico, ou seja, com o já popular "coração de leão".

Francisco Cunha

domingo, 19 de fevereiro de 2012

FC Porto sabe passear

Vit. Setúbal 1-3 FC Porto
No Bonfim, os dragões venceram sem dificuldade um Vitória apático e sem capacidade para atormentar a turma de Vítor Pereira que acabou por dominar completamente o jogo, repondo os três pontos de vantagem sobre o Sporting de Braga. 

Com um meio-campo de grande nível, composto por um Fernando recuperador, um Moutinho aguerrido e um Lucho mágico, e um tridente atacante com os desequilibradores Hulk e Varela e com o goleador Marc Janko, a vantagem chegou ao minuto 3 por intermédio do avançado austríaco 28 anos que cabeceou para o fundo das redes de Ricardo. Por esta altura, o Porto não ia apresentando um futebol veloz, porém bastava para brilhar num campo difícil. Aos 26 minutos, Hulk serviu Fernando que fez o seu primeiro golo oficial. A 15 minutos do fim, Meyong marcou de livre direto, dando esperança aos sadinos. Tal sentimento veio-se a demonstrar frustrado, já que Varela, 4 minutos depois, impôs o resultado final, após assistência de Rodríguez. Destaque ainda para a estreia de Alex Sandro de azul-e-branco num jogo em que o Porto... passeou.

Francisco Cunha

Há goleador em Braga

Na capital do Minho mora um matador chamado Rodrigo dos Santos, mais conhecido por Lima. Ontem, marcou um "hat-trick" perante o Gil Vicente e senti uma necessidade extrema de falar deste futebolista, tantas vezes criticado por más razões (nomeadamente, pela sua lentidão).

Após ter brilhado ao serviço do Belenenses (apesar de ter descido de divisão enquanto jogava nos lisboetas) chegou aos "arsenalistas" com o estatuto de suplente de Meyong. Mas tudo mudou, logo após o play-off, referente à Liga dos Campeões, onde os bracarenses derrotaram o Sevilha. Na Andaluzia, Lima marcou três e elevou a cidade nortenha ao êxtase, tornando-se assim ídolo dessa gente tão amante do desporto-rei. Desde aí, nunca mais perdeu o estatuto de estrela nos "arcebispos".

Na minha opinião, Lima é, acima de tudo, um ponta-de-lança muito completo. O seu remate fácil e potente, o seu bom jogo aéreo, o seu excelente posicionamento e as suas interessantes desmarcações que promove no decorrer de cada partida tornam-no num goleador nato. Há quem o critique por ser alegadamente lento e que, por isso, nunca chegará a um "grande". Discordo completamente desse facto. É verdade que não se evidencia pelos seus sprints, mas as suas inteligentes movimentações táticas, que já chamaram a atenção de alguns "tubarões" europeus, permitem que o camisa 18 dos minhotos pense em jogar noutro clube com outras aspirações aos 28 anos.

Francisco Cunha

sábado, 18 de fevereiro de 2012

O tormento de Torres

Há poucos anos atrás era o melhor e mais completo ponta-de-lança do mundo, mas hoje é considerado um verdadeiro “flop”. Falamos pois de Fernando Torres. Formado no Atlético de Madrid, Torres cedo demonstrou que tinha enorme potencial e que chegaria ao topo sem ter de se esforçar muito. O Liverpool apercebeu-se dos seus dotes e apressou-se a contratá-lo, num negócio que envolveu cerca de 45 milhões de Euros. Na cidade dos Beatles, “El niño” foi somando conquistas individuais, com golos atrás de golos, mas os títulos coletivos escapuliam-lhe, sem que o espanhol pudesse fazer algo para contrariar essa “sina”. Portanto foi com agrado que aceitou uma proposta milionária endereçada pelo Chelsea. O clube londrino pagou cerca de 65 milhões de Euros, e clube da cidade banhada pelo rio Mersey não pôde rejeitar uma oferta tão tentadora. Desde logo choveram críticas e maus presságios, os jornalistas alegavam que Torres não valia tanto dinheiro, reiterando ao mesmo tempo que “el niño” nunca iria dar provas de valor suficiente para fazer esquecer os 65 Milhões de Euros. O dianteiro de 27 anos teve desde logo dificuldades em adaptar-se à maneira de pensar e de agir do antigo técnico blue, Carlo Ancelotti. Porém este ano os resultados ainda são piores, Torres tem tido oportunidade de jogar mas na prática, nada sai bem ao atacante.
A verdade é que a linha que separa o céu do Inferno é muito ténue, Fernando Torres é apenas mais uma das muitas vítimas da irregularidade do futebol, que tanto pode consagrar um jogador, como arruiná-lo logo de seguida.

Fernando Machado

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Benfica escorrega mas não cai

Zenit 3-2 Benfica
O jogo disputou-se como se previa: num relvado péssimo e onde não devia ser permitido jogar, condições atmosféricas adversas e com o Benfica a tomar conta do jogo desde muito cedo. Até aos 20 minutos do duelo nada de muito especial para contar, sem lances a merecer destaque e sem rasgos individuais a realçar, mas com uma entrada assassina de Bruno Alves sobre Rodrigo que obrigaria Jorge Jesus a retirar o hispano-brasileiro (o central português apenas levou cartão amarelo, quando o vermelho se ajustava). Aos 20 minutos, o primeiro golo encarnado. Cardozo bate um livre frontal, o guardião do Zenit (péssima exibição) defende a bola para a frente e Maxi Pereira, oportuno, coloca o Benfica em vantagem. Este golo serviu de aviso à turma russa, que a partir daí acentuou a pressão efetuada e dificultou de sobremaneira a vida às águias, que se viram obrigadas a baixar as linhas ofensivas. Foi neste tónico que os de São Petersburgo empataram a partida, com um excelente golo de Shirokov, após um cruzamento milimétrico para o pé preferencial do centro-campista. A partida tornou-se demasiado tática, com ambas as equipas a pensarem mais na contenção. Desta forma chegou o intervalo, que precederia  uma segunda parte de grande nível.

Precisamente na etapa complementar, o Zenit optou por lançar Semak a jogo, uma aposta que deu ao conjunto de Luciano Spaletti mais contacto com a bola e mais inteligência, ao invés de velocidade. As condições do relvado complicaram a tarefa de ambas as equipas, embora o mais prejudicado tenha sido inegavelmente o Benfica, que não está habituado a estas condições. Aos 70 minutos o melhor golo da partida, Semak, de calcanhar, concretiza a reviravolta, após uma jogada bem planeada pelos soviéticos. Os encarnados não desistiram e empataram mesmo, com golo de Cardozo, aos 87 minutos, depois de Zhevnov ter praticamente retirado a bola dos pés de Bruno Alves, que se preparava para afastar o perigo. No entanto um erro de Maxi deitou tudo a perder. O uruguaio pretendeu dominar a bola numa zona crítica, perdeu-a para Shirokov, e este, após regatear Artur, colocou-a dentro da baliza.

O Benfica perde, mas, o facto de ter marcado em todos os jogos até agora e de jogar na Luz são argumentos poderosíssimos. Porém não se pode subestimar o Zenit, que apostará, em Lisboa, certamente em defender bem e contra-atacar ainda melhor. Esta derrota foi exemplo do poderio e da evolução, não só do Zenit, mas também do futebol na Rússia, que demonstra que, embora haja dinheiro, não é só isso que faz a diferença, como se constatou ontem.

Fernando Machado