quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Javier Zanetti: "O capitão"

Em 1994, o Inter de Milão realizava um negócio fácil e pouco dispendioso. Na altura, os dirigentes nerazurri não imaginariam, seguramente, que, 13 anos volvidos, a sua contratação (Javier Zanetti) viesse a dar frutos. Mas deu, e em abundância. Como anteriormente foi destacado, Zanetti ingressou no Inter na temporada 1994/95, tendo saído do Banfield (Argentina). Em Itália adaptou-se a um futebol táctico, basicamente, Zanetti "chegou, viu e venceu". Mal chegou a Milão, assumiu-se, preferencialmente, como lateral, tendo começado logo a vencer, e em grande estilo: conquistou a Taça UEFA. Porém, após esta vitória, os resultados tardaram a voltar a aparecer, devido à hegemonia do AC Milan. Aliás, estes anos foram tremendamente maléficos para os nerazurri, que no plano interno se viram ultrapassados, para além do AC Milan, também pela Juventus, AS Roma, Parma ou Lazio. Os milaneses estavam praticamente a realizar uma travessia no deserto, até que a Taça UEFA voltou a surgir no horizonte. Na época 1997/98, o Inter tornou a alcançar esta competição, a segunda vez, desde que Javier debutava pelos italianos.

A mudança começou a ocorrer no ano desportivo de 2004/05, com a conquista da Taça de Itália. Deste ponto para a frente, só vitórias, muito devido ao Calciocaos que invadiu Itália e que prejudicou a Juventus, que perdeu várias competições graças a este escândalo. Desde aí, Il Capitano, já venceu cinco Ligas de Itália, três Taças italianas e, principalmente, uma Liga dos Campeões. É também importante vincar que Zanetti é o jogador que mais vezes vestiu a camisola do Inter, ao todo, mais de 700.

Eu vejo Zanetti como um visionário. A sua entrega, a classe magistral, a regularidade...tantos predicados para um só jogador. Aliás, Javier é, acima de tudo, um líder, a extensão do treinador dentro das quatro linhas. Mais palavras para quê? Zanetti é basicamente o símbolo vivo do Inter de Milão, um clube que desde que Zanetti chegou, nunca mais foi o mesmo. E nunca o será.

Fernando Machado

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Craques de Amanhã: Lass Bangoura

Não se deixe enganar pelo aspeto franzino de Lassane Bangoura, já que, embora apenas tenha 174 cm e pese 71 kg, não há dúvidas que Lass irá brilhar. Atualmente a representar o Rayo Vallecano, Bangoura nasceu na Guiné-Conacri, onde deu os primeiros passos, antes de rumar a Espanha, para debutar pelo Rayo. No seu primeiro ano no clube situado em Madrid, Lass jogou pelas reservas, apontando 23 golos em 25 jogos, excelente marca para um estreante nestas andanças. Esta temporada está a marcar a "explosão" de Bangoura, pese não seja titular nem de perto, já anotou três golos na Liga Espanhola, sendo atualmente o quarto melhor marcador do seu clube.

Lass Bangoura surpreende pela entrega que dá em cada lance, disputando a bola como se fosse a última coisa que fizesse na vida. Além do mais é veloz, sendo fulcral em contra-ataques rápidos, sendo uma das razões para o facto do Rayo estar a realizar uma temporada tão interessante. Estou plenamente convicto que pouca gente conhece Bangoura, mas também acredito que, mediante o "salto" para um clube mais ambicioso, poderá tornar-se uma das referência do futebol africano, podendo ser um novo Weah.

Nota Final: 14/20

O (grande) projeto do Rayo Vallecano

Tal como José Mourinho relembrou no último desafio que o Real Madrid disputou para a Liga espanhola, o Rayo Vallecano é de facto uma grande equipa, bem organizada e inteligente. Nem parece que este clube, situado na periferia de Madrid, esteve às portas da falência, no ano transato. O dono da baliza não é indiscutível, Cobeño, Joel e Dani lutam por um lugar ao sol. Na defesa, Tito Román, Casado, Labaka e Arribas transmitem confiança ao treinador, que não enjeita utilizar esta quadrilha quando o pode fazer. No "miolo", o "velhino" Movilla (apesar da idade continua a ser o baluarte do Rayo), tem lugar cativo no onze, juntamente com, por exemplo, Trashorras (tecnicista embora algo lento), Javi Fuego (um pêndulo, um dos mais utilizados na equipa) e Michu ( um dos indiscutíveis). A frente de ataque é também temível, com jogadores essenciais e de grande classe, como é o caso de Diego Costa (bom atacante embora tenha de melhorar na finalização), Tamudo (tem experiência e finaliza bem), Delibasic (não sendo primeira opção, não deixa ficar mal o seu treinador) e Bangoura (muito jovem mas excelente jogador). Para terminar, é preciso referir que o Rayo Vallecano é, atualmente, o 11º classificado da Liga espanhola, colocando-se à frente de clubes como Villarreal, Saragoça, Getafe...

Fernando Machado

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Izmailov decisivo

Sporting 1-0 Rio Ave
Para não deixar fugir o Marítimo na 4ª posição, o Sporting teria que derrotar o Rio Ave. Desafio relativamente fácil, mas a possibilidade de os leões serem derrotados em Alvalade teimava em não desaparecer do imaginário dos adeptos sportinguistas. O russo Marat Izmailov, com um golo fenomenal, veio tirar essa ideia da cabeça do universo verde e branco.

A meter velocidade e criatividade no jogo, o Sporting demorou a chegar à vantagem. Insúa esteve perto de marcar no início de jogo numa altura onde os leoninos já iam dominando, porém só aos 35 minutos é que a igualdade se desmontou. Izmailov tirou dois adversários da frente e rematou, ainda fora da grande área, rumo ao fundo das redes da baliza de Huanderson. Até fim, duas oportunidades relevantes de golo com os forasteiros Atsu e Anselmo a estarem muito perto do golo. Em suma, um resultado justo num jogo onde o Sporting fez o que tinha que fazer e cumpriu.

Francisco Cunha

Águias azaradas

Académica 0-0 Benfica
Após derrotas em São Petersburgo e em Guimarães, o Benfica voltou a escorregar, desta feita em Coimbra. Numa partida totalmente dominada pelos forasteiros, a justiça do resultado é muito contestável. Com Maxi, Witsel e Nélson Oliveira em grande, mas sem Javi García (suplente), Rodrigo (lesionado) e Luisão (castigado), os encarnados mostraram perante os estudantes um bom futebol com base numa posse de bola de qualidade. A travar esta avalanche benfiquista esteve o guardião Peiser, a barra ou, simplesmente, o azar dos futebolistas mais avançados da formação de Jorge Jesus.

A abrir o primeiro tempo, os encarnados ficaram a pedir mão na bola de Cédric Soares: Bruno César cruzou na esquerda, acabando a bola por embater no braço do lateral-direito português. Lance no mínimo duvidoso. Pouco tempo depois, Maxi deu na cabeça de Aimar que obrigou Peiser a efetuar uma grande defesa.

Aos 45 minutos, Matic foi substituído pelo português Nélson Oliveira e o fluxo atacante dos encarnados evoluiu. Com Witsel e Aimar mais descidos no campo e com o avançado recém-entrado a servir com imensa qualidade o paraguaio Cardozo, os encarnados subiram de nível de jogo. Logo no primeiro minuto da etapa complementar, Oliveira esteve muito perto de marcar, porém rematou por cima da baliza dos estudantes. Pouco tempo depois, o jovem luso arrancou pela ala direita, cruzou e, a cortar, Flávio meteu a bola na... barra, estando muito perto do auto-golo. À meia-hora de jogo, Nélson Oliveira remata, Peiser defende e, na recarga, Maxi volta a falhar. Um minuto depois, fica um penálti por marcar a favor do Benfica: Aimar foi derrubado dentro da grande área. Até ao fim da partida, os encarnados continuaram a tentar, no entanto não conseguiram encontrar uma forma de bater a defensiva da Briosa. Agora, se vencer o Feirense, o FC Porto poderá chegar ao "Clássico" com os mesmos pontos que as águias...

Francisco Cunha

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A injustiça de Hugo Viana

Surpreendentemente, Hugo Viana não foi convocado pelo selecionador nacional, Paulo Bento, para o jogo de preparação com a Polónia, em Varsóvia, agendado para 29 de fevereiro. A não convocatória do jogador do Sporting de Braga, pese tenha vindo a apresentar-se em boa forma, seria facilmente explicável caso, quem o substituisse, fosse, em qualidade, superior ao próprio. No meu ponto de vista tal não se sucede. Os convocados para o "miolo" foram João Moutinho, Raul Meireles, Miguel Veloso, Carlos Martins, Manuel Fernandes e Ruben Micael. Na minha opinião, estes dois últimos foram convocados um pouco "à força". Mas vamos por partes. Enquanto Hugo Viana tem sido titular numa das melhores equipas portuguesas da atualidade (Sporting de Braga), Ruben Micael não o é de forma indiscutível na sua equipa, com um agravante: debuta na pior equipa a alinhar na Liga Espanhola. Quanto a Manuel Fernandes, o seu momento de forma no Besiktas "salva-o" um pouco, embora, tal como Ruben Micael, não recolha unanimidade no seio dos adeptos lusos. Os dados estão lançados e, agora, Paulo Bento terá de explicar de forma mais conclusiva, por que razão se "esqueceu"de Hugo Viana, embora ainda tenha tempo para remediar o erro: faltam cerca de 4 meses para se disputar o Euro.

Fernando Machado

Hernanes: o chefe "laziale"

Antes de mais, tenho de admitir o meu gosto especial pela forma de jogar de Hernanes, um jogador que eu venho observando desde o tempo em que o próprio debutava no São Paulo, onde era inclusivamente a estrela maior do "tricolor". Após esta breve introdução, e sem mais demoras, posso começar a analisar, de uma forma mais abrangente, o perfil do médio brasileiro.

Nascido a 29 de maio de 1985, Hernanes começou a jogar no modesto Unibol, do Brasil. O São Paulo, ao aperceber-se do seu talento apressou-se em contratá-lo, em 2001. Demorou algum tempo a impor-se no clube brasileiro (6 anos), mas, quando chegou à titularidade, nunca mais a perdeu. Brilhou a alto nível em 2008, ano em que foi eleito o melhor jogador do Brasileirão. Começou aí a ser cobiçado pelos "tubarões europeus", que viam nele um novo Kaká. A sua chegada ao "Velho Continente" tardou um pouco mais do que Hernanes pretendia, um vez que apenas saíu de "terras de Vera Cruz" em 2010, rumando à Lazio. No emblema romano, pegou de estaca no onze, tornando-se o elemento mais criativo e produtivo dos laziale. Após cerca de um ano e meio na capital italiana, Hernanes já se pode gabar de ser um autêntico ídolo para a massa associativa da Lazio, clube que está agora a recolher os frutos do negócio empreendido com o São Paulo.

O número 8 da Lazio é um médio criativo puro. Minimamente alto (180 cm), Hernanes não faz disso um predicado, se o brasileiro tem algo mais a dizer, é que é ambidestro, algo muito valorizado nos dias que correm. Sendo um criativo por Natureza, o internacional pela "canarinha" apresenta uma visão de jogo predestinada aos melhores dos melhores, conseguindo encontrar espaço, onde ele parece não existe. Termino como começei, Hernanes é, no meu ponto de vista, um dos maiores talentos a alinhar em Itália.

Fernando Machado

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Convocatória de Nélson: sim ou não?

A grande surpresa da convocatória de Paulo Bento para o particular com a Polónia é, sem dúvida, a chamada do jovem avançado Nélson Oliveira. Sabendo que a diversidade e a qualidade de avançados em Portugal é escassa, penso que é absolutamente pertinente abordar esta nova aposta do selecionador nacional num jogador jovem, pouco experiente e pouco utilizado no seu clube, mas de uma qualidade inegável. Hélder Postiga e Hugo Almeida não têm qualidade para ser titulares numa seleção com tanto prestígio como a das "quinas" e Liedson parece não ser opção para Paulo Bento.

Nélson Oliveira é, claramente, o melhor avançado luso. Disso ninguém parece duvidar: o Cantona português é rápido, possante, inteligente e tecnicista, sendo facilmente caracterizado numa única palavra - completo. Apesar de tudo isso, o tema da discórdia passa pela reduzida utilização do jovem de 20 anos na Luz. Pudera (!), com Rodrigo, Cardozo e Saviola na concorrência será sempre bastante difícil para qualquer jogador de qualidade não astronómica chegar à titularidade. Mesmo assim, as boas exibições do minhoto quando entra em campo demonstram que é um futebolista de alto gabarito. Esperamos ansiosamente para ver Nélson no duelo com os polacos (organizadores do Euro 2012) e deliberar se a convocatória do benfiquista para o Europeu beneficiaria ou não a equipa das "quinas".

Francisco Cunha

Ao colo de Matigol

Sporting 1-0 Legia
Em Alvalade, o Sporting conservou a vantagem conquistada na Polónia (recorde-se o empate a duas bolas fora). Após uma exibição pouco impressionante baseada em jogadas rápidas e eficientes, a formação de Sá Pinto tem agora um exame maior nos oitavos de final da Liga Europa, enfrentando o todo-poderoso Manchester City.

O primeiro tempo ficou marcado por uma única grande ocasião de golo que pertenceu ao... Legia de Varsóvia. Depois de um erro defensivo do defesa peruano Rodríguez, a estrela dos polacos, Ljuboja, tentou fazer o primeiro golo da partida com um cabeceamento perante Rui Patrício, porém falhou. Um Sporting recuado ia tranquilizando os adeptos leoninos. Já aos 84 minutos e após três jogadores substituídos devido a problemas físicos, o Sporting arranjou forças e chegou à vantagem. O criativo chileno Matías Fernandéz, através da marcação de um livre direto que não tocou em ninguém, marcou o único golo do jogo. Em suma, uma vitória curta perante uma equipa de pouco qualidade para estas andanças. Na minha opinião, este Sporting de Sá Pinto é bastante parecido ao de Domingos, porém percebe-se facilmente que a garra é mais evidente atualmente nos futebolistas verde-e-brancos.

Francisco Cunha

Vitória com sabor amargo

Besiktas 0-1 Braga
Com uma exibição de grande nível em Istambul, o Sporting de Braga garantiu uma vitória em terreno turco, porém a derrota por 2-0 em casa faz com que os finalistas da edição passada sejam eliminados da Liga Europa logo nos 16 avos de final. De salientar o domínio do jogo por parte dos forasteiros (o próprio técnico do Besiktas, Carlos Carvalhal, admitiu esse facto) que, com muita serenidade, segurança e garra, lograram um resultado surpreendente perante uma equipa recheada de estrelas (de destacar as exibições de Ernst, Manuel Fernandes, Quaresma e Hugo Almeida). Até me atreveria a dizer que, por momentos, pareceu impossível que os minhotos não passassem esta eliminatória, tal era a supremacia da turma de Leonardo Jardim que ia trocando a bola com grande qualidade.

Quanto ao jogo propriamente dito, o português Ruben Amorim deu o alarme aos 20 minutos, rematando para fora já dentro da grande área dos turcos. Algum tempo depois, Alan penetrou na defesa visitada, disferindo um remate que embateu num defensor adversário. O brasileiro insistiu na jogada, ganhou o lance ao seu opositor e deu em Lima que, após uma fantástica desmarcação, abriu o marcador. Já no segundo tempo, o goleador "canarinho" esteve muito perto de bisar, mas, no cara-a-cara com o guardião Cenk Gonen, rematou ao lado. No outro lado, Hugo Almeida e Quaresma iam pondo à prova Quim, no entanto o keeper português demonstrou segurança entre os dois postes.

Tenho que destacar o grande jogo dos bracarenses que se vão afirmando jogo-a-jogo como um sério candidato ao título. Agora, com um meio-campo mais forte (Ruben Amorim foi, sem dúvida, um grande contratação) e com um melhor banco de suplentes, o duelo pelo campeonato nacional não se cingirá, certamente, apenas a FC Porto e Benfica.

Francisco Cunha