sexta-feira, 22 de junho de 2012

Lendas e Glórias: Luís Figo

Luís Figo é e sempre será um dos melhores futebolistas em Portugal e no Mundo, tendo sido o estandarte da Geração de "Ouro" que venceu o Mundial de sub-20 de 1991. O "Pastilha" venceu a Bola de Ouro de 2000 e, no ano seguinte, foi eleito o jogador do ano pela FIFA. O lisboeta atuou pela seleção nacional por 127 ocasiões, sendo o recordista de internacionalizações pela seleção das "quinas". O extremo luso venceu ainda inúmeros títulos pelos clubes que representou (Sporting, Barcelona, Real Madrid e Inter). A sua classe, a sua tremenda qualidade técnica, o seu remate fácil e forte, os seus passes precisos e as suas variações de velocidade permitiram-no ser um ídolo em carreira e atingir o estrelato.

Começou a sua carreira no modesto Pastilhas, onde deu nas vistas antes de partir para o Sporting. Chegou ao clube de Alvalde com 11 anos e aí se manteve até aos 23. Nos leões venceu apenas uma Taça de Portugal, no entanto as suas grandes exibições ao serviço do emblema verde e branco abriram-lhe as portas da saída para o estrangeiro.

Decidiu-se pelo Barcelona, depois de ter estado a um passo da Juventus e do Parma. Permaneceu na Catalunha por 5 temporadas, tempo suficiente para vencer 2 ligas espanholas e 1 Taça das Taças. Em 2000 realizou-se a mais controvérsia transferência da história do futebol: Luís troucou o Barça pelo seu grande rival, o Real Madrid, a troco de 60 milhões de euros, valor recordista na altura, tornando-se assim um do "galáticos" de Florentino Pérez. Ficou no Santiago Bernabéu durante outras 5 épocas. Na capital espanhola ganhou 2 campeonatos nacionais e a sua primeira e única Liga dos Campeões. Quando o seu contrato com os "merengues" terminou, em 2005, partiu para Milão de forma a representar o Inter, onde ganhou 4 "scudettos", ou seja, foi campeão italiano em todas as épocas em que representou os milaneses. Pôs um ponto final à carreira no dia 31 de maio de 2009. Era o fim da jornada de um jogador que espalhou magia pelos relvados deste mundo fora...

Nota Final: 18/20

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O capitão mostra como se faz

Rep. Checa 0-1 Portugal

Portugal está nas meias-finais do Euro 2012 da Polónia e da Ucrânia! Após um jogo sofrido que acabou por ser decidido por uma cabeçada certeira de Cristiano Ronaldo, a equipa lusa volta a repetir este feito pela quarta vez na sua história.

O jogo foi dominado pelos portugueses em praticamente todos os momentos da partida, no entanto os checos entraram melhor no jogo. Essa supremacia durou cerca de 15 minutos e, a partir desse momento, a turma de Paulo Bento agarrou o controlo do jogo e nunca mais o largou. À meia-hora, Ronaldo deu o primeiro aviso: um pontapé de bicicleta dentro da grande área checa que não passou muito longe do poste. Pouco tempo depois, Hélder Postiga saiu por lesão (quanto tempo ficará de fora) e foi substituído por Hugo Almeida (que, diga-se de passagem, não fez uma grande exibição). Já nos descontos do primeiro tempo, Ronaldo rematou forte contra o ferro da baliza de Cech.

Esta toada manteve-se durante a etapa complementar, com um Portugal mais criativo, mais rápido, menos fatigado e menos "preso". Aos 48 minutos, surge um livre direto mesmo ao jeito de Ronaldo, porém o jogador do Real Madrid voltou a atirar ao poste. Cerca de um quarto de hora mais tarde, foi a vez de Moutinho obrigar Cech a efetuar uma grande defesa. A resistência checa não durou muito mais tempo e, aos 80 minutos, Cristiano Ronaldo respondeu a um cruzamento de João Moutinho com um cabeceamento fulminante que só parou nas redes da baliza adversária. Paulo Bento lançou Custódio e Rolando para segurar o resultado e, felizmente, este não se alterou até final.

Hoje, com uma grande exibição, a seleção das "quinas" mostrou que a vingança serve-se mesmo fria. Muito se falou durante 16 anos do "chapéu" de Poborsky que tirou a seleção do Europeu de 1996. É hora de esquecer essa lenda e festejar esta vitória sobre uma equipa que veio estacionar um autocarro em frente à sua baliza, mas que se esqueceu do espírito guerreiro luso. Agora há que esperar pelo resultado do Espanha vs. França, de onde sairá o adversário português nas semi-finais. Mas, com Ronaldo e companhia, podemos vencer qualquer um...

Esperança numa vitória

O onze que deverá atuar hoje.
Hoje, às 19h45, joga-se o futuro da seleção nacional no Euro 2012. Frente a uma República Checa longe dos seus tempos mais áureos e que aposta tudo em Petr Cech, Jiracek e Rosicky, Portugal parte como favorito.

A República Checa pratica um futebol cínico e apostará tudo no contra-ataque, já que possui jogadores letais neste processo. Portugal deverá partir para cima do adversário desde o primeiro minuto de forma aguerrida, com pressão sobre a primeira linha checa e um futebol pensado de forma a desmontar a defesa da equipa da Europa Central, não desguarnecendo a defesa. Será essencial a inspiração de jogadores como Cristiano Ronaldo (que deverá ser marcado por Gebre Selassie, jogador esse que tem vindo a ser uma das revelações deste Europeu de Futebol), Nani e Fábio Coentrão, os jogadores que, na ausência de um típico "dez", têm pegado na equipa.

Outro aspeto preocupante é a possibilidade, caso Portugal ultrapasse esta fase, de ver algum dos seus principais atletas fora das "meias" se forem admoestados com um cartão amarelo, dado que apenas se fica com a ficha limpa após os quartos-de-final. Cristiano Ronaldo, Hélder Postiga, Raúl Meireles, João Pereira e Fábio Coentrão encontram-se nessa situação e deverão ter cuidado quer com as entradas sobre os adversários, quer com as palavras dirigidas ao árbitro inglês Howard Webb.

Os eternos suplentes

Turnbull, Antonio Adán, Storari, Castellazzi, Lngerak, Stuart Taylor e Lindegaard, nomes desconhecidos para os mais distraídos, mas que têm em comum o facto de representarem alguns dos maiores "colossos" da Europa. Mais novos (Adán), ou mais velhos (Storari), todos eles gostariam de beneficiar de mais oportunidades para demonstrar o seu valor. Porém, a concorrência é de peso. Petr Cech, Iker Casillas, Buffon, Julio César, Weidenfeller, Joe Hart e David de Gea são, neste momento, os atuais guarda-redes principais do Chelsea, Real Madrid, Juventus, Inter de Milão, Borussia Dortmund, Manchester City e Manchester United. Os suplentes, vão aguardando pelo seu momento que, para já, apenas chega em jogo de menor preponderância.

Turnbull: Ingressou no Chelsea em 2009/10, proveniente do Middlesbrough, clube da segunda divisão inglesa. Tem jogado poucas vezes e, quando joga, é só em partidas de competições menos atrativas (Taça da Liga inglesa) ou devido a lesão do guardião principal dos blues (Petr Cech). Apesar de tudo, ainda completou cinco jogos, 2 para a Premier League e 3 para a Taça da Liga inglesa. Com 27 anos, tem poucas probabilidades de ser, um dia, titularíssimo no Chelsea.

Adán: Formado na cantera do Real Madrid, Antonio Adán é o eterno suplente de Casillas, uma das figuras dos "merengues". A preponderância de Casillas é tão elevada, que Adán apenas efetuou 5 partidas, distribuídas por Chamipons, Taça do Rei e Campeonato espanhol. Com uma boa compleição física, Antonio, de 25 anos, é o segundo guardião dos madridistas, sendo que estará esperançado em lograr realizar mais jogos, embora não aparente ter qualidade suficiente para comandar a defesa do Real.

Storari: É um dos mais experientes esta lista, tendo representado, até ao momento, 12 clubes, entre eles a sua atual equipa, a Juventus. Foi contratado há dois anos ao AC Milan, a custo zero, tendo logo a partir desse momento garantido o lugar de guarda-redes secundário. Apesar de já estar em fim de carreira e de já não possuir esperanças de ser figura de proa da "Vechia Signora", Marco ainda realizou sete jogos oficiais na época que agora finda, 3 para a Serie A e 4 para a Taça de Itália.

Castellazzi: Luca Castllazzi é uma espécie de bombeiro. A sua experiência, aliada a um físico impressionante (192 cm e 89 kg) fazem de Castellazzi um bom suplente. Descoberto em 2010/11 na Sampdoria, onde tinha estado 5 anos, este Keeper nunca demonstrou uma qualidade fora do vulgar. Porém, o que faz dele elemento importante é o facto de ser um guarda-redes que sabe esperar e que não causa problemas devido ao facto de não jogar regularmente. Tal conjunto de "capacidades" foi premiado pelos 11 jogos oficiais que completou neta temporada, possivelmente a última ao serviço dos "neroazzurri".

Langerak: Weidenfeller não um guarda-redes fantástico, mas é minimamente fiável. Assim sendo, Langerak, de 23 anos, tem aguardado pela sua oportunidade, que esta época lhe valeu 5 jogos oficiais. Australiano, Langerak chegou há dois anos, proveniente do Melbourne Victory, clube mais aclamado da Oceânia. Apesar de tudo, este australiano é, nesta lista, dos guarda-redes com mais esperanças de vir a ser titular no seu clube, Borussia de Dortmund, nos próximos anos.

Stuart Taylor: No meu ponto de vista, Stuart Taylor apenas representa o Manchester City porque é um importante baluarte no balneário. De resto, Taylor não mostra qualidade suficiente para ser jogador dos "citizens", mesmo que seja como suplente. Um exemplo? Stuart Taylor não realizou nenhum jogo oficial esta temporada, pelos "citizens".

Lindegaard: Acabamos com um guarda-redes que, para mim, é o melhor desta lista. Com 28 anos, Anders chegou a "Old Trafford" em 2010, tendo sido imediatamente suplente de van der Sar. Esta época, devido ao fim de carreira do holandês, o United contratou De Gea, que teve um início atribulado em Manchester, o que permitiu a Lindegaard mostrar serviço, como no primeiro jogo da Chamipons, entre Benfica e Manchester United. Apesar de ter vindo a perder a luta pela baliza, Lindegaard tem demonstrado fiabilidade, que lhe confere um lugar no plantel dos "Red devils".

terça-feira, 19 de junho de 2012

Alerta 10

Já tivemos Rui Costa (na imagem), Pedro Barbosa ou Deco, porém agora temos que nos limitar a um meio-campo combativo e sem um típico criativo. Nani e Cristiano Ronaldo têm conseguido ocultar por vezes essa lacuna clara na turma de Paulo Bento, mas, nos jogos frente a equipas mais equilibradas (como a Alemanha ou a Dinamarca), tem ficado bem patente que a falta de um playmaker tem faltado à equipa das "quinas". Ter um jogador capaz de fazer aqueles passes fatais no momento exato ou organizar a equipa desde trás é essencial no futebol moderno e a Portugal falta um ou mais jogadores desse género.

Na minha modesta opinião, Carlos Martins, apesar de atuar como médio-ofensivo não tem essas características, e Hugo Viana, tal como Rúben Micael, não tem qualidade para ser titular na seleção. Sendo assim, apresentamos de seguida uma lista de futebolistas que a curto/longo prazo poderão vir a tornar-se esse jogador tão essencial à nossa equipa.

Adrien Silva (Académica - emp. Sporting): De todos os futebolistas deste lote, o atleta formado em Alcochete é o com maior qualidade de momento. Com 23 anos e prestes a rescindir com os leões, levou os "estudantes" às costas durante esta época com a sua criatividade, a sua verticalidade, a sua garra e a sua tremenda qualidade técnica. Bastar-lhe-iam duas/três temporadas ao mais alto nível para poder atingir a seleção e essa oportunidade poderá passar pelo Montpellier, campeão francês, ou pelo Cluj, campeão romeno. Nunca atingirá o nível de Rui Costa, é certo, mas poderá ser uma excelente solução.

David Simão (Académica - emp. Benfica): Este "estudante" nascido em Paris, em 2010/11, brilhou ao serviço do Paços de Ferreira e por isso, na primeira metade da época, teve a sua oportunidade no plantel principal da sua equipa de formação, o Benfica. Infelizmente, desperdiçou-a e, em janeiro, seguiu para Coimbra onde foi peça fundamental na caminhada da equipa de Pedro Emanuel para o título da Taça de Portugal. Apesar de ser um tanto lento, este jovem de 22 anos tem técnica, boa visão jogo e é primoroso nos passes longos. Nos juniores do Benfica bateu recordes e prometeu muito. Esperemos que cumpra todas essas promessas...

Sérgio Oliveira (Penafiel - emp. Sporting): É o jogador com menor potencial deste leque de hipóteses para a equipa das "quinas", no entanto realizou um excelente Mundial de sub-20 no ano passado e foi ídolo nas camadas jovens dos dragões. Na primeira metade da época esteve perdido no Mechelen da Bélgica. Os portistas não perderão a hipótese de reaver o futebolista de 20 anos e de o emprestar ao Penafiel onde realizou todos os jogos possíveis e ajudou os nortenhos na sua campanha que culminou num honroso 9º lugar. Deverá ser agora emprestado a uma equipa da Primeira Liga. Estaremos atentos ao seu desenvolvimento.

Saná (Valladoid): O médio de 20 anos conjuga velocidade e qualidade técnica de uma forma muito equilibrada, o que lhe permite ser um futebolista muito interessante. Apesar de só ter realizado 2 jogos oficiais durante esta temporada, é considerado em Espanha uma jovem promessa que, no futuro, poderá atingir outro nível. Sinceramente, não acredito muito neste jovem formado no Benfica, porém admito-lhe qualidade.

Filipe Chaby (Sporting): De todos estes jogadores, é, na minha opinião, o que possui mais potencial e, sinceramente, poderá atingir um nível mundial. Este canhoto de 18 anos, oriundo de Setúbal, que atua em Alcochete é já fortemente pretendido pela Europa fora. Muito tecnicista, veloz, criativo e simplista fará parte, ou muito me engano, do futuro do Sporting e do da seleção.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Resultado aldrabado em Gdansk

Para a história ficará a vitória da Espanha sobre a Croácia por 1-0, mas, no futuro, do que ninguém (pelo menos, fora da Croácia) se lembrará serão as duas grandes penalidades claríssimas não marcadas por Wolfgang Stark e, que ao serem assinaladas, muito provavelmente, teriam colocado a campeã mundial e europeia em título fora da competição. Sem dúvida que com a Espanha, o Euro ficará muito mais rico em termos de espetáculo, mas a justiça acima de tudo...

Se isto não é penalty, o que será?

E, na sequência do lance acima, aos 88 minutos, Jesús Navas desfrutou de uma assistência de Andrés Iniesta para meter a Espanha nos quartos-de-final. Incredulamente, mais tarde, Michel Platini veio dizer que perspetiva uma final entre Alemanha e Espanha. Sem dúvida que seria um jogo bonito e histórico, mas será que seria o mais justo?

No outro jogo do grupo C, a Itália venceu a Irlanda por 2-0 com golos de Cassano e Balotelli e também está no quartos.

Para quando, Bélgica?

Hazard, Witsel e Mertens
Courtois, Van Buyten, Kompany, Vermaelen, Alderweireld, Witsel, Defour, Fellaini, Hazard e Lukaku são apenas alguns dos muitos bons jogadores que a seleção belga tem a seu dispor. Com tal leque de opções, aguardava-se que a Bélgica alcançasse, no mínimo, uma grande competição. Pois bem, tal não tem acontecido. Porque motivos? Também não se sabe. Dos jogadores atrás enumerados, existem alguns de craveira mundial, como são os casos de Kompany, Witsel, Fellaini e Hazard. Apesar de tudo, esta geração ainda não logrou o apuramento para uma grande competição, nem para Europeus nem para Mundiais.

Apesar de tudo, possivelmente, não há motivo para alarme, pois, dos jogadores mais importantes dos "Diabos Vermelhos", apenas Van Buyten, com 34 anos, está em fim de carreira. De resto é pertinente fazer a pergunta: como será a Bélgica daqui a 3/4 anos? Os belgas têm qualidade, agora talvez lhes falte experiência, pormenor tão importante em competições de alto gabarito. Marc Wilmots têm à sua disposição matéria-prima de qualidade, agora, basta-lhe poli-la, para que, de uma vez por todas, os "Diabos Vermelhos" se afirmem como adversário a temer no futebol mundial.

Craques de Amanhã: Salvador Agra

Preciso urgentemente que alguém me explique como um dos "quatro grandes" do futebol português deixou fugir esta pérola (portuguesa) para Espanha. Salvador tem tudo o que um extremo de qualidade precisa: velocidade, aceleração, criatividade, técnica e qualidade de remate e cruzamento. Apresenta mais capacidade que muitos estrangeiros sobrevalorizados em Portugal, como Juan Iturbe, Paulo César ou, arrisco eu, Nolito e Jeffrén. Quem me diz que  este jovem de 20 anos ainda não deu provas suficientes para ingressar num "grande", riposto com o facto do "caxineiro" ter sido a maior figura de um Olhanense, apoiado por Wilson Eduardo ou Cauê, que rubricou a sua melhor época de sempre. Realizou 27 em 30 jogos possíveis, fez assistências atrás de assistências, marcou 4 golos e, resumidamente, fez uma época incrível.

Formado na "cantera" do Varzim, de onde saíram futebolistas como Bruno Alves, Neto, Yazalde ou Rafael Lopes nos últimos tempos, este pequeno grande jogador (tem 1,66 m) parte agora para um novo desafio no Bétis de Sevilha onde esperemos que vingue, porque, afinal, a seleção nacional precisa de bons jogadores.


Nota Final: 15/20

Lendas e Glórias: Kopa


Ao falarmos da seleção francesa, lembramo-nos obrigatoriamente de Platini e Zidane. Mas antes destes fantásticos jogadores aparecerem, outro já tinha deixado a sua marca como número 10 por excelência. Falamos de Raymond Kopaszewski, mais conhecido por Kopa, de sangue polaco, que antecedeu Platini (com raízes italianas) e Zidane (argelino por nascimento). Kopa poderia perfeitamente retratar uma sociedade que se está a perder, retrata os tempos em que as crianças passavam o dia a jogar à bola. Não gostava da educação e é o próprio que o admite, portanto a sua escola era a bola. Nos tempos da Segunda Guerra Mundial, Kopa, juntamente com os seus amigos, entretinha-se a roubar bolas aos soldados alemães. Paralelamente, Kopa, como a maior parte das pessoas no seu tempo e na sua região, começou a trabalhar como mineiro, até que um acidente de trabalho lhe retirou as hipóteses de se manter nas minas. Porém, há males que veem por bem, devido ao acidente, Raymond pode-se empenhar no futebol.

Começou no modesto Angers, nos quais jogou em part-time, como eletricista. Porém, o Angers não cumpriu e Kopa rumou à profissionalização, tendo ingressado no Stade de Reims, a melhor equipa francesa daquele tempo. A qualidade evidenciada pelo "Napoleão" fez com que rumasse ao todo-poderoso Real Madrid, onde conquistou 3 Taças dos Campeões. Na capital espanhola permaneceu três anos, tendo retornado ao seu clube de sempre: o Stade de Reims. Kopa também representou, com qualidade, a seleção francesa, tendo obtido o terceiro lugar no Mundial de 1958, realizado na Suécia onde, a par de Fontaine e Pelé, foi uma das estrelas da competição.

Como bom médio ofensivo que foi, Kopa acolhia em si todas as qualidades necessárias para singrar a número 10. Tinha qualidades técnicas invejáveis, fazia, frequentemente, passes a rasgar que, na maioria das vezes, davam golo e teve, inclusive, aquele faro pelo golo.

Nota Final: 16/20

Que venham os checos!

Após a épica vitória de ontem, ante a Holanda, os portugueses já sabem qual o adversário nos quartos de final: a República Checa. Os checos apuraram-se em primeiro lugar no grupo A, quedando-se à frente de Grécia (2º lugar), Rússia (3º) e Polónia, que não foi além do 4º e último lugar do primeiro grupo. Esta seleção prima pela qualidade coletiva, aliada, ainda assim, a alguns talentos individuais, como são os casos de Rosicky, se jogar, e Pilar, jovem médio de grande qualidade. Ao falarmos da República Checa, falamos de uma equipa equilibrada em todos os setores, sendo apenas brilhante na posição de guarda-redes, onde Petr Cech se assume como baluarte de uma defesa algo inconstante.

Neste momento, uma das maiores lacunas dos checos prende-se com a falta de opções atacantes. Todos os 4 golos da seleção neste Euro foram apontados por médios. Dois golos de Pilar e outros dois de Jiracek, algo surpreendente, uma vez que Baros, avançado mais utilizado pelo selecionador Bilek, foi o melhor marcador do Euro 2004, que se realizou em Portugal.

As maiores ameaças à segurança portuguesa são direcionadas, principalmente, ao jovem Pilar, que está a fazer um surpreendente Euro, Rosicky, que é o "maestro" desta seleção, embora possa não jogar, devido a lesão. A seleção Lusa também terá de estar atenta às bolas paradas, principalmente a livres, nos quais o lateral Kadlec, melhor marcador checo na fase de qualificação, poderá evidenciar-se graças à potência e colocação do seu remate.

Portugal já demonstrou que pode vencer qualquer equipa deste Europeu. Porém, o maior erro que a seleção nacional pode cometer é menosprezar o adversário e cair em facilitísmos. Nos "quartos" de uma grande competição, o respeito tem de estar sempre presente, pois só assim será possível galgar terreno rumo ás meias-finais, e, depois, quem sabe, chegar à final. Mas, primeiro, venham de lá os checos!

Fernando Machado