sábado, 21 de julho de 2012

Valery Lobanovsky: O mítico treinador do Dínamo de Kiev

O Dínamo de Kiev nasceu em 1927, mas apenas se tornaria verdadeiramente conhecido no futebol mundial a partir de 1973. Nessa data, Valery Lobanovsky regressava a casa, após ter treinado o Dnipro, equipa de menor expressão na Ucrânia. Lobanovsky já anteriormente tinha representado os Bilo-Syni, mas sem grande sucesso. Antes de Lobanovsky, o clube sediado na Ucrânia não passara dos três títulos oficiais. Posteriormente, o Dínamo venceu 47 competições, Lobanovsky não as venceu todas mas, tal como José Maria Pedroto no FC Porto, também Valery construiu as bases que guiariam os de Leste a serem um dos clubes mais representativos, anualmente, nas competições europeias. Na primeira parte da aventura de Lobanovsky nos ucranianos (1974/86), os de Kiev venceram 7 títulos de campeões da extinta URSS, 4 taças da URSS e 3 Supertaças. Lobanovsky conseguiu, inclusivamente, levar o seu clube à conquista no exterior, graças à Taça das Taças, competição vencida no decorrer da temporada 1985/86, uma das melhores da história do Dínamo.

Entretanto, Valery incorporou-se noutros projetos, nomeadamente de seleções, com passagens fugazes e esporádicas pelo seu clube do coração. No Europeu de 1988, Lobanovsky alcançou fama internacional. Não só por lograr ser finalista com a URSS, mas também porque essa seleção soviética apresentou um dos melhores estilos de futebol da história. Estilo este que só foi parado na final, devido ao fantástico vólei de van Basten, e de uma "laranja mecânica" fantástica. De 1994 a 1996 foi milionário no Kuwait, onde treinou a seleção nacional porém, novamente, o apelo de casa falou mais alto, tendo regressado ao "seu clube". Aí conquistou 5 ligas ucranianas e 3 taças, para além de potenciar alguns dos melhores jogadores ucranianos da próxima geração. Entre esses jogadores, destaque-se Shevchenko, que sempre se demonstrou grato pela preciosa ajuda de Lobanovsky no seu crescimento.

Valery Lobanovsky faleceu em 2002, num hospital na capital da Ucrânia, enquanto, apesar de tudo, assumia o cargo de treinador do Dínamo de Kiev. Em sua memória, o emblema de Leste construiu uma estátua sua, em frente ao seu estádio, também com o nome do mítico timoneiro ucraniano.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Melgarejo a lateral-esquerdo?

O ex-Paços de Ferreira retorna agora ao Benfica.
Jorge Jesus pretende encontrar um Fábio Coentrão em Melgarejo, mas será que algum dia conseguirá? A verdade é que tudo dependerá da evolução do jovem paraguaio, já que as qualidades do técnico português em adaptar jogadores a outras posições totalmente diferentes das suas é já reconhecida. No entanto, por enquanto, parece-me muito difícil que JJ o faça, pois Lorenzo é um autêntico goleador e não é especialmente inteligente em termos táticos. Além do mais, seria um desperdício tirá-lo da ala ou do apoio ao avançado. Aliás, aí o paraguaio de 21 anos consegue apresentar-se a um ótimo nível, podendo vir a atingir, no futuro, ainda um outro nível superior. No Paços de Ferreira, evidenciou-se a atacante. Será que agora, no Benfica, conseguirá destacar-se numa posição mais defensiva?

Quem é Leslie Davies?

Jogador do Bangor City foi nomeado para a Bola de Ouro UEFA.Ao observarmos a lista dos 32 nomes que, segundo a UEFA, foram os melhores jogadores na Europa durante o ano, apercebemo-nos que há algo que não bate certo. 6 jogadores do Manchester City, outros tantos do Real Madrid, 4 do Barcelona... 1 representante do Tottenham é normal, tal como do Arsenal. De repente, um jogador do modesto Bangor City! Chama-se Leslie Davies e é oriundo do País de Gales.

Les Davies, como também é conhecido, é ponta-de-lança, fazendo bem uso da sua pujança física (191 cm e 108 kg) e conta com 27 anos (fará 28 a 29 de outubro). O número 9 do Bangor City foi o terceiro melhor marcador da última edição da Liga de Gales, tendo apontado 16 golos. O "camião" é um ponta-de-lança canhoto, pouco móvel, e algo perdulário. Apesar de tudo, e de uma forma inacreditável, Les Davies, terceiro melhor marcador de um campeonato longe do profissionalismo, foi eleito para o prémio de melhor jogador na Europa. Esta escolha infeliz, deixa no ar a questão: se Davies foi nomeado, como é que jogadores como Hulk, João Moutinho, Witsel ou Cardozo não o foram? A UEFA só pode estar a gozar...

terça-feira, 17 de julho de 2012

Craques de Amanhã: Gerard Deulofeu

Barcelona e Espanha
Aos 18 anos, Gerard Deulofeu é uma das maiores promessas mundiais. É a extremo que se salienta mais, todavia, pode também atuar no centro do ataque. As suas mudanças de velocidade e os seus dribles com a bola "colada" ao pé são capazes de fazer levantar todo um estádio e irão permitir-lhe atingir o estrelato.

Rápido e tecnicista, foi um dos principais destaques da seleção espanhola no Euro de Sub-19 deste ano. Na época transata, foi já um dos atletas mais utilizados por Eusebio Sacristán no Barcelona B e espera-se que esta época comece, aos poucos e poucos, a integrar-se na equipa A dos catalães (onde já se estreou). A verdade é que o seu talento é vasto e as suas triangulações e investidas pela ala esquerda já causaram muito alvorço em diversas defesas pelos relvados dessa Europa fora. E, com o tempo, serão mais as vezes e maior a dificuldade com que Gerard o fará.

Nota Final: 17/20

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Espanha, Espanha e Espanha!

Campeã do Euro de Sub-19 de 2012 (Estónia)
Desde 2002 que os espanhóis já venceram por 6 ocasiões o Campeonato Europeu de Sub-19. Este ano, na Estónia, derrotaram por 1-0 a Grécia com um golo do "merengue" Jesé Rodríguez , voltando a subir ao topo da Europa. Surgem agora outros jovens já habituados a vencer prontos a suceder a Iniesta, Xavi e companhia. A pergunta a fazer é a seguinte: depois de vencerem dois Euros e um Mundial seguidos e sabendo que o seu futuro parece estar assegurado, onde irá parar esta saga de vitórias internacionais de Nuestros Hermanos?

Impressiona igualmente a facilidade com que as seleções espanholas ganham títulos. Jesé Rodríguez (já avaliado na rubrica Craques de Amanhã, ler aqui), melhor marcador, com 5 golos, e melhor jogador da prova, e o "culé" Gerard Deulofeu, um autêntico desequilibrador, e Campaña, um médio de grandíssima qualidade, foram os destaques individividuais dos espanhóis, que praticaram um futebol fabuloso assente na filosofia de toque e passe. Suso e Oliver Torres são também muito importantes no meio-campo e a capacidade de possuir futebolistas como Paco Alcácer (ler aqui) ou Denis Suarez é empolgante.

Na finalista Grécia, que surpreendeu tudo e todos (inclusivemente, eu), o espírito combativo e inteligência tática e defensiva veio ao de cima e, ofensivamente, alguns jogadores de muita qualidade fazem sonhar os adeptos gregos. O guardião, já internacional AA, Stefanos Kapino é provavelmente o jogador sub-19 mais promissor na sua posição. O central Bougaidis, o trinco agressivo Ballas, o criativo Kaitidis e o extremo Gianniotas são também grandes destaques, mas o finalizador Diamantankos é a estrela da equipa.

De salientar também a qualidade dos franceses que foram eliminados nas meias-finais, apenas nas grandes penalidades, pelos espanhóis. Em termos individuais, nos gauleses, o jogador que se apresentou a melhor nível foi o atleta da Juventus Paul Pogba (ler aqui). O avançado do FC Porto, Thibaut Vion, realizou também um bom torneio, fazendo um golo e sendo um dos mais utilizados por Pierre Mankowski. Na Inglaterra, destacou-se a qualidade dos seus jogadores mais ofensivos, entre os quais, de destacar o médio-ala do Birmingham, Redmond (principal estrela dos ingleses), Robert Hall e o possante Saido Berahino. No meio-campo, além do combativo Lundstarm, Ross Barkley destaca-se: é tecnicista, inteligente em termos táticos e muito criativo. Atrás, o sportinguista Eric Dier, apesar da imensa qualidade, não impressionou, ao invés do atleta do Liverpool, Jack Robinson.

Por seu turno, a seleção nacional, apesar de ter conseguido o apuramento para o Mundial de Sub-20, não passou da fase-de-grupos. Apesar do ataque se ter salientado, a defesa falhou pelas mais diversas ocasiões (Rafael Veloso, Tiago Ilori e Daniel Martins não são nada de especial), apesar da qualidade de João Cancelo e de Tiago Ferreira. No meio-campo, o benfiquista André Gomes e os sportinguistas Agostinho Cá e João Mário demonstraram imenso potencial. Na frente de ataque, Ricardo Esgaio não impressionou (é lateral e não extremo), ao contrário do leonino Bruma e da águia Ivan Cavaleiro, além de Betinho ter apresentado, a espaços, rasgos de goleador. Triste a falta de aposta em jogadores como Cafu ou Tozé, futebolistas fenomenais.

sábado, 14 de julho de 2012

Valeu Maicon

FC Porto 1-0 Evian


Após uma bela exibição perante os suíços do Servette, os comandados de Vítor Pereira, se bem que frente a um adversário mais complicado, tiveram uma prestação fraca. Os dragões tiveram dificuldade em chegar à frente e na defesa demonstraram grandes dificuldades e, caso não fosse a vasta qualidade de Helton, o resultado podia muito bem ter-lhes sido desfavorável. Quanto ao onze inicial azul e branco, voltaram a ser utilizados os melhores jogadores à disposição do técnico portista. Destaque para a titularidade do francês Mangala na posição de lateral-esquerdo (aposta absolutamente falhada, tal é a lentidão do francês) e do jovem extremo Atsu, que rubricou uma grande exibição.

Na 1ª parte, Helton salvou os dragões, evitando pelas mais diversas vezes o golo do Evian. Lucho e Defour não conseguiram transportar a bola para a frente, tendo essa tarefa acabado por cair em Christian Atsu que, a espaços, criou perigo. Na etapa complementar, o domínio gaulês manteve-se e, neste caso, foi o reforço Fabiano a impressionar por algumas paradas. Aos 87 minutos, Maicon, na conversão de um livre direto, deu esta vitória totalmente injusta aos azuis e brancos.

Camuflar o calcanhar de aquiles

Para o leitor não é novidade que o Benfica procura incessantemente um defesa-esquerdo que seja capaz de protagonizar boas exibições ao longo da época. Também não é novidade que os dois laterais esquerdos dos encarnados no último ano (Emerson e Capdevila) ficaram a anos-luz das exibições de Fábio Coentrão um ano antes. A novidade é qual o defesa-esquerdo que ingressará nas águias para lutar com Luisinho por um lugarda no plantel principal de Jorge Jesus. Após Rojo ( que esteve perto de ser reforço), Taiwo, Didac Vilá e José Ángel, mais um nome é veiculado como possível contratação - desta feita é o suíço Reto Ziegler.

Análise às possíveis contratações:

Taye Taiwo (AC Milan): O defesa nigeriano é um amor antigo dos encarnados, que já o tentaram recrutar em 2011, no ano em que terminava o contrato que o ligava ao Marselha. O negócio não correu como planeado, e o africano haveria de reforçar o AC Milan, clube no qual não tem obtido grande sucesso. De facto, Taiwo, em meia época, apenas completou 8 jogos pelo AC Milan, tendo sido emprestado aos ingleses do QPR na segunda metade da temporada, onde jogou mais regularmente. Com uma capacidade de resistência enorme, Taiwo não se inibe de avançar no terreno, incorporando-se com facilidade no futebol ofensivo da equipa.
Reto Ziegler (Juventus): Segundo a imprensa italiana, Reto Ziegler está perto de se tornar oficialmente jogador do Benfica. Caso a transferência se conclua, creio afincamente que o suíco é um bom reforço para os encarnados, graças às qualidades ofensivas do bianconeri. Apesar de estar contratualmente ligado à Juventus, Ziegler é um jogador dispensável por Antonio Conte, que, inclusive, o emprestou ao Fenerbahçe nesta última temporada. Com uma grande experiência, dado que já jogou na Suíça (Grasshoppers), Inglaterra (Tottenham e Wigam), Alemanha (Hamburgo), Itália (Sampdoria e Juventus) e Turquia (Fenerbahçe), Ziegler poderia ser o substituto ideal de Fábio Coentrão, que tantas saudades deixou em Lisboa.
José Ángel (AS Roma): Neste lote de jogadores, José Ángel é o mais improvável reforço encarnado, já que a Roma não está na disposição de vender uma das suas jóias. Campeão Europeu de sub-21, José Ángel rumou aos gialorrossi na temporada 2011/12, proveniente do Sporting Gijón. Não demorou muito a garantir o seu lugar no plantel principal da AS Roma, que protagonizou uma temporada abaixo dos objetivos. Um jogador a observar com atenção no futuro.
Didac Vilá (AC Milan): Segundo o que veio a público, Didac Vilá integrará o plantel do AC Milan, em detrimento de Taiwo, que será, ao que tudo indica, vendido. Na última temporada, Vilá foi emprestado ao Espanyol, clube que o vendera anteriormente aos rossoneri. Após uma época em que foi o jogador mais vezes utilizado nos periquitos, Didac Vilá, campeão Europeu de sub-21, pretende agora jogar com maior assiduidade num clube de maior expressão a nível mundial. Boa opção para o futuro.

Experiência e versatilidade

O novo reforço do Sporting ao serviço do Bayern de Munique.
Danijel Pranjic, preferencialmente lateral-esquerdo, é um jogador que conheço particularmente bem, principalmente dos tempos do Heerenveen (admito que sou um fã do futebol holandês). Aos 30 anos, mostrará em Alvalade toda a sua qualidade técnica, velocidade e visão de jogo, mas principalmente a sua polivalência que tantas opções dará a Ricardo Sá Pinto que, sabendo que o internacional croata pode atuar a lateral-esquerdo (técnicos mais rigorosos não o costumam colocar nesta posição, pois falha muito em termos táticos), extremo e 10, poderá fazer dele o substituto, tanto de Insua, como de Schaars e Capel, isto é se não lhes "roubar" o lugar. Porém tudo depende da forma como abordará este desafio: a qualidade está lá, mas apenas se apresentar espírito competitivo (ao contrário de jogadores como Capdevila ou Angulo) poderá singrar no nosso futebol. Pranjic poderá ser igualmente uma forma de precaver a possível saída de Matías Fernández.

Dani, de 1,71 metros, só em 2004, com 22 anos, é que chegou a um clube de qualidade: ao Dínamo de Zagreb do seu país natal. Aí conseguiu singrar e, passados dois anos, rumou ao Heerenveen, onde se mostrou à Europa do futebol. No Euro 2008, foi considerado um dos melhores jogadores da prova (pelo menos, o melhor croata) e o assédio dos "tubarões" europeus acentuou-se. Só ficou mais um ano na Holanda, já que, em 2009, o Bayern de Munique pagou perto de 8 milhões por ele. Na sua primeira época, com Louis van Gaal foi inicialmente titular a defesa-esquerdo, mas acabou por perder o lugar para o jovem Badstuber. Mesmo assim, chegou à final da Champions, feito que se repetiria dois anos mais tarde na época passada.

Nas duas últimas temporadas, pouco ou nada jogou e chega ao Sporting experiente e, provavelmente, com muito ainda para dar. Sabendo que vem a custo zero, a sua contratação representa um bom negócio, se bem que, apesar de lhe ter tecido grandes elogios, Pranjic não deixa de ser um jogador mediano.

Benfica de respeito

Benfica 2-0 Marselha - Évian, FrançaBenfica 2-0 Marselha


O Benfica entrou nesta época da melhor maneira possível, vencendo, e logo contra um adversário respeitável. A única novidade no onze inicial, que foi praticamente uma fotocópia do de 2011/12, foi a inclusão de Luisinho na lateral canhota (o extremo Melgarejo ocupou essa posição durante o 2º tempo). Ola John também se estreou e mostrou velocidade (que poderá vir a causar muitos estragos), Paulo Lopes (um par de boas defesas), Roderick, Enzo Pérez, Alan Kardec e Carlos Martins voltaram a atuar de águia ao peito, tendo o último, juntamente com Maxi Pereira e Witsel, sido um dos melhores em campo.

Os encarnados foram dominadores em toda a partida e praticamente não deram espaço para os franceses, que têm este ano uma equipa de menor qualidade relativamente aos anos anteriores, causarem perigo perto da sua baliza. Consequentemente, o golo acabou por surgir: aos 37 minutos, o belga Axel Witsel caiu na grande área do Olympique e o juiz da partida apontou para a marca dos onze metros - Cardozo converteu o penálti com sucesso, rematando forte para o centro da baliza. O Benfica manteve o domínio da partida e, já perto do fim do jogo, Nolito assistiu Carlos Martins que desferiu um belo remate que apenas terminou nas redes da baliza de Sy.

Uma bela amostra do que tem vindo a ser trabalhado por Jorge Jesus no decorrer desta ainda curta pré-época. O problema do lateral-esquerdo é evidente e, apesar de Luisinho ter cumprido, é necessário um jogador que seja titular "de caras" (Melgarejo, por enquanto, ainda não pode atuar aí). O Benfica voltou a atacar da mesma forma que o celebrizou nas últimas temporadas e pareceu defender mais assertivamente.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Lendas e Glórias: Fontaine

Just Fontaine nasceu de nacionalidade francesa, em Marraquexe, Marrocos, filho de pai marroquino e de mãe espanhola. Porém, entrou no restrito lotes de lendas de futebol mais a norte, na Suécia, durante o Mundial de 1968. Nesse país nórdico, Fontaine estabeleceria um recorde que vigora há mais de 50 anos. Numa só edição de um Campeonato do Mundo, Fontaine foi capaz de apontar 13 golos. É verdade que, mais tarde, outros futebolistas ultrapassariam esta marca, mas, para o concretizarem, tiveram a necessidade de completarem mais de uma edição, como Gerd Müller, que representou a antiga RFA em duas edições ou Ronaldo, melhor marcador de sempre em Mundiais, com 15 golos, que realizou três edições. Foi em 1958 que os gauleses demonstraram, pela primeira vez, a sua força, força esta que seria mais tarde retratada também ao nível de clubes, como o Stade de Reims, que lograria alcançar duas finais da Taça dos Campeões Europeus. Reza a história que Just Fontaine, na altura jogador do Stade de Reims, nem era para ser titular na frente de ataque de França, já que René Bliard adaptava-se melhor ao sistema do selecionador Nicolas. Junto a Kopa e Piantoni, Fontaine guiou a sua seleção a um incrível 3º lugar, quedando-se somente atrás de Brasil, campeão, e Suécia, finalista vencida. Para se ter noção do feito de Fontaine, a soma de golos dos dois melhores marcadores atrás do francês (Pelé e Rahn) perfaz um total de 12 remates certeiros, menos um que o fantástico ponta-de-lança nascido em África.

O USM Casablanca foi o primeiro clube de "Justo", que mais tarde haveria de representar o Nice, posteriormente, Fontaine jogaria ao serviço do Stade de Reims. Aliás, foi neste clube que Just teve os melhores registos de golos durante a carreira, fruto da sua capacidade de finalização em frente ao guarda-redes oponente. Após tanto sucesso, a carreira de Fontaine acabaria abruptamente. Se o leitor pensar um pouco, chegará à conclusão de que o motivo que fez Fontaine aposentar-se se deveu a uma lesão, na perna esquerda, mais especificamente.

Just Fontaine foi um matador por excelência, um ponta-de-lança que só precisava de meia-oportunidade para marcar. Dono de uma rapidez estonteante e de qualidades técnicas q.b, "Justo", apesar de não ser muito alto nem possante, ainda tinha qualidade par ser um bom cabeceador. Apesar de tudo, creio que Fontaine poderia ter tido uma carreira mais condizente ao seu talento. De facto, no meu ponto de vista, o pouco que se fala de Fontaine deve-se ao Mundial de 1958, no qual foi rei e senhor, apesar de não ter saído como campeão. Se Fontaine tivesse seguido o seu companheiro, Kopa, para o Real Madrid, talvez a carreira de Just fosse mais completa, isto para não falar nas lesões que tanto o atormentaram. Mas o futebol é isto, e não há nada para o contrariar.

Nota Final: 16/20